sábado, 26 de novembro de 2011

Harley e o transito urbano

Eu uso a moto diariamente e por conta disso meu uso é majoritariamente urbano.

Depois de cinco anos eu vejo aumentarem muito os acidentes com motos e as HDs também estão aparecendo com mais frequencia, seja porque os proprietários começam a desistir do carro durante a semana ou seja porque o número de HDs vem aumentando.

Por conta disso (acidentes e tempo de uso) muita gente sempre pergunta como é que eu "aturo" sair com uma "moto tão grande" e andar no "meio daquele transito todo".

Primeiro, eu não aturo. Eu gosto de andar de moto, principalmente com a HD, e sempre prefiro andar de moto do que ficar preso dentro do carro por mais que o carro seja confortável (musica, bom assento, ar condicionado). O tempo inerte esperando o carro da frente andar é tempo dentro de uma prisão onde não se pode fazer nada, exceto esperar o tempo passar para chegar no final do trajeto.

Além disso, a HD pode ser uma moto grande, mas ainda é menor que um carro e sempre vai existir uma passagem que vai te permitir economizar alguns minutos (as vezes mais de meia hora) quando o transito vai se acomodando na sua passagem. Isso tudo sem mencionar que quanto mais você anda com a moto, menor e mais ágil ela fica. A prática traz a experiência e a experiência faz tudo ficar mais fácil.

A pior parte disso tudo é andar no meio do transito. A imperícia e imprudência, aliada à falta de educação do motorista de carro, ônibus, caminhão e do motociclista (ou motoqueiro, como queiram chamar), além do próprio pedestre aumentam bastante o estresse de conduzir no transito.

Sempre tem um veículo mudando de pista porque a fila ao lado andou "mais rápido" para voltar para a fila anterior porque viu que não era isso, sempre aparece um pedestre que atravessa no meio da via porque tem preguiça de ir até a faixa ou não tem paciência de esperar o sinal abrir para ele e sempre tem um alucinado em cima de duas rodas que quer passar por qualquer lugar, mesmo que seja por cima de você e da sua HD.

Recomendação para evitar estresse: paciência. Você já está de moto, vai chegar mais cedo do que se fosse de carro portanto pode perder cinco minutos para se livrar do alucinado que provavelmente vai bater na próxima esquina. Dê passagem e se livre do problema.

Outra recomendação: tenha certeza que foi visto. Não hesite em usar a buzina ou para quem tem escape esportivo, usar o acelerador. Aviste de longe o motorista "costureiro". Normalmente este motorista está mais para o centro da pista, podendo trocar de faixa repentinamente. Olhe o retrovisor do carro para ver se o motorista está atento à sua passagem, se tiver dúvida diminua até ter certeza. No corredor entre ônibus ou caminhão o cuidado deve ser dobrado porque a motocicleta entra muito rapidamente no ponto cego dos espelhos mais altos (vale também para os SUVs).

E o último alerta: cuide da sua segurança. O verão está chegando e cada vez mais é difícil ter animo para vestir jaqueta, luva e bota, sem falar na tentação da bermuda e camiseta para ir à praia. Evite a preguiça e a tentação: HD esquenta e quando cai, pesa bastante e se for em cima em cima da pele o estrago é grande (de jaqueta ou calça também, mas sempre melhor um pouco). Treine as manobras de emergência sempre que puder para que isso se transforme em reflexo e evite as distrações (música é legal, mas aliena o piloto da realidade).

Não sou inocente a ponto de acreditar que os meus leitores achem que faço isso sempre, mas tento fazer disso um hábito. Afinal aquele dia em que venci a preguiça de vestir a jaqueta pode ser o dia que vá precisar dela.

Motocicleta é quilometro rodado, quando mais você anda, melhor a sua pilotagem.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sempre leio o seu blog.
Suas informações e comentários são sempre proveitosas !
Parabéns pela sua iniciativa e perseverença em manter o blog.

Leoclima

Anônimo disse...

Caro Wolfmann.
Eu também faço da minha Dyna Super Glide o meu transporte diário, até porque é um prazer pra mim pilotá-la, seja aqui no Centro de Niterói, seja nas estradas que pego com frequência. Só não a uso mesmo quando chove, ocasião em que fico "p" da vida, porque tenho que encarar trânsito de carro. Apesar de serem só três quilômetros de casa ao trabalho, é um estresse e um exercício de paciência com o caos do trânsito por aqui. E de H-D também pinta problema. Essa semana mesmo um carinha saindo do estaleiro com sua Cgzinha estava atrás de mim no corredor da Barão do Amazonas irado, doido pra passar de qualquer jeito. Assim que deu, ele passou pela calçada e voltou pra pista, na perpendicular em relação a mim, na minha frente; pra sorte dele e minha eu vinha devagar no corredor, uns 40 km/h, no máximo, e mesmo assim tive que usar uma frenagem de pânico! Deu uma bronca na boa, e o cara tomou um susto, e aceitou na moral. É isso, valeu pelas dicas, que uso sempre pra melhorar a minha pilotagem. Abs,

Cezar / Niterói-RJ

Wilson Roque disse...

Experiência de pilotagem só se adquire rodando, sem dúvida. A maioria dos livros que lí sobre segurança em motocicletas, considera um piloto experiente aquele que roda, pelo menos, 3.000 milhas (+ ou - 5.000 km) por ano, tanto na cidade como nas estradas.