domingo, 6 de setembro de 2009

perda de motivação

Ando de motocicleta há muito tempo, tive meus acidentes, vi vários amigos falecerem andando de motocicleta e nunca perdi o prazer de usar a motocicleta.

A partir de 2006 comprei uma HD graças ao incentivo da Silvana. Ela e eu já erámos companheiros de motocicleta desde o tempo da minha Vulcan (bem no finalzinho), ela segurou as pontas durante um período muito difícil que passei por conta da artrite psoriática, e incentivou a voltar a comprar a motocicleta: primeiro uma CB 500 que um amigo estava vendendo por conta de uma crise conjugal (depois essa moto passou para o Amilcar), depois uma Drag Star e por fim a Fat Boy.

Ela foi a grande incentivadora da compra da HD, assim como foi a grande incentivadora de voltar a conviver com outros motociclistas e passando a ter prazer na estrada.

Ela mesmo se entusiasmou, comprou uma Burgman, tirou carteira (fez 40 aulas e passou no primeiro exame), vendeu a Burgman e comprou uma Intruder 125 (coitada... estava a pé e não sabia), vendeu a Intruder com três meses de uso e dor de cabeça e comprou uma Virago 535 e finalmente compramos a FX, que foi customizada para o tamanho dela com muito carinho.

Lembro de uma manhã de sábado em Julho que não quisemos participar do passeio e fomos confraternizar no 1220 na Barrinha e eu estava muito feliz: sentado na minha moto olhando para ela toda agitada, falando com vários colegas ao mesmo tempo. Uma visão linda.

Nesse tempo em que ando de moto aprendi muito: modo de pilotar mais seguro, como conservar a motocicleta para não ser traído por um defeito, tipo de equipamento a ser usado e sempre fui um apologista da segurança.

Sempre me pautei pela diretriz de estar preparado para o imprevisto. Ela sempre fez o mesmo.

Hoje ela falou comigo e com o Amilcar porque não quer voltar a sentar em uma motocicleta: "fiz sempre tudo certinho... sempre usei o equipamento, minha moto sempre esteve em boas condições, nunca abusei ou fiz manobras imprudentes e achava que isso bastava.... não bastou. Bastou um motorista infeliz para me deixar na cama por um mês e ainda vou ficar mais tempo. Não quero deixar meus filhos, meu marido, minha família e meus amigos por conta de um motorista que simplesmente não aceita ser ultrapassado por uma motocicleta e que no momento da ultrapassagem prefere acertar uma pessoa do que amassar um carro. Por isso parei com a motocicleta."

É complicado rebater esses argumentos, assim como é difícil para mim rodar de moto enquanto ela fica preocupada dentro do carro. Muito provavelmente servirei de carro de apoio em muitas viagens simplesmente porque não consigo arranjar motivação para colocar a moto na estrada enquanto ela fica preocupada.

Não coloco minha Fat a venda... tenho muito carinho por esse ícone de duas rodas, mas não encontro animação para colocá-la novamente na estrada. Tenho usado a moto simplesmente para encurtar o tempo que gasto no transito e mais nada.

Enquanto os legisladores e governantes se preocupam com leis idiotas visando tolher a liberdade pessoal como a lei seca, motoristas inconsequentes e muitas vezes sem capacidade para guiar os veículos que usam, sendo aprovados de qualquer jeito pelos DETRANs da vida que concedem licença para idosos, provavelmente sem condições de manter um caminhão rodando em linha reta.

Esses motoristas mal educados, preconceituosos e ignorantes das consequencias dos próprios atos permanecem nas estradas matando, aleijando e virando a vida de muitas famílias de cabeça para baixo, sem que as autoridades tomem qualquer iniciativa válida.

Agora, depois de tudo que se passou cabe à vítima o ônus de procurar a delegacia, fazer ocorrência e esperar a boa vontade da justiça em encontrar o autor da façanha na estrada. Depois que o achar vai haver uma audiência de conciliação, onde mesmo que a vítima deseje justiça o Ministério Público vai oferecer uma Transação Penal e o autor vai pagar sua dívida com a sociedade entregando cestas básicas para uma instituição, restando à vítima somente a iniciativa pessoal de procurar reparação de danos morais e materiais na Justiça Civel, onde teremos mais uma série de audiências até um resultado provavelmente ineficiente.

Difícil acreditar que existe punição para este tipo de criminoso que anda nas nossas estradas. Difícil acreditar que existe interesse das autoridades que só pensam em arrecadar através de IPVA, DPVAT e pedágios caros, ao invés de coibir e educar esses motoristas, assim como manter a segurança mínima nas nossas estradas.

Está muito difícil arrumar disposição para aturar isso novamente...

2 comentários:

Daniel disse...

Assino embaixo Wolf. Por duas vezes sofri acidentes por culpa de motoristas irresponsáveis, sinto muito que um deles tenha causado tanto sofrimento para a sua família.

Nosso sistema de trânsito visa gerar multas lucrativas e não punir os milhares de bárbaros que transitam pelas nossas ruas. Infelizmente, o interesse maior é multar quem foge do rodízio, ou quem passa a 60km/h em uma lombada eletrônica de 50km/h.

Alguma vez você já viu uma viatura parando um motorista irresponsável, como se faz em outros países? Fazendo um caminhão que trafega em alta velocidade e costurando encostar no acostamento para dar uma multa ou advertência?

Eu sinto muita vergonha de ser brasileiro.

Marcelo disse...

Adelino,
Concordo em tudo que escreveu.
Infelizmente estamos num país em que o povo é ignorante, mal informado, e sem condições de votar. Esse mesmo povo dirige, põe a vida dos outros em perigo, e, eventualmente, assume cargos no legislativo e até na presidência, como no momento atual.
Infelizmente, todos esses ignorantes governam nosso país e nossas vidas. Mas, infelizmente, nada podemos fazer na prática. Somos minoria, e jamais seremos ouvidos. Continuaremos sendo governados por imbecis, eleitos por outros imbecis. E nós, com instrução e um QI acima de 100, viveremos sujeitos às leis inúteis e aos atos, sejam físicos ou de caneta, de todos que compõem nosso povo. Um país tão lindo... Um povo tão inútil.
Eu, você e as pessoas que nos cercam, infelizmente, não somos a realidade do Brasil. Centenas de anos serão necessários para mudar isso. Espero que seja para melhor. Só sei que não estaremos aqui para ver.
Abraços,
Marcelo.