quarta-feira, 30 de setembro de 2009

habilidade, experiência e preconceito

Do blog do PHD Roque (HTTP://wilsonroque.blogspot.com) eu retirei alguns trechos da postagem feita por ele em 14/08/2009: "http://wilsonroque.blogspot.com/2009/08/como-definimos-um-piloto-experiente.html. Ele trata sobre um assunto que muita gente confunde: habilidade e experiência. Nem sempre o piloto hábil é um piloto experiente e vice-versa.

“Como definimos um piloto experiente?

Será que é aquele capaz de fazer coisas incríveis com sua motocicleta e que possui muita habilidade no guidão?

Ou será aquele que, consistentemente, adapta sua pilotagem às condições da estrada e do tráfego, identificando os perigos, controlando efetivamente a velocidade e o posicionamento da motocicleta?

Todos os dias vemos motociclistas (geralmente com motos de baixa cilindrada) fazendo verdadeiras acrobacias nas ruas, “deslizando” pelo trânsito como se fossem um piloto de caça em um show aéreo.

Será que eles são pilotos experientes? Eu não acho.

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Eu acredito que um piloto experiente é aquele que pilota com segurança.

E segurança numa motocicleta é sinônimo de controle.

Assim, você deve, primeiro, controlar-se (ser consistente com suas habilidades), controlar sua motocicleta e as condições à sua volta.

Qual o segredo para uma pilotagem segura? É não deixar nada ao acaso.

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Se não estiver pilotando com segurança, o que você estará fazendo é participando de um jogo no estrada. E este jogo, muitas vezes, reserva um acidente como prêmio ao perdedor. Quando não, com certeza um bom susto.

Jogo é coisa de casino ou do computador de casa e deve ser deixado para estas ocasiões.

Pilotagem é coisa séria, pois envolve sua vida e a vida de outras pessoas (inclusive sua garupa).

Faça a sua cabeça e discipline-se para sempre pilotar com o controle total sobre você mesmo, sua motocicleta e o ambiente onde você está rodando.”


Aqueles que acompanham o blog sabem da minha opinião sobre o assunto, mas volto a reiterar a importância da experiência na pilotagem segura de uma motocicleta. Um acidente acontece independente da habilidade de cada um e muitas vezes até mesmo um piloto experiente é surpreendido por uma situação fora do comum, como foi o caso do acidente da Silvana.

Digo isso porque a Silvana não é o melhor exemplo de piloto hábil, embora tivesse um nível de habilidade na pilotagem bem superior a diversos colegas de HOG RJ, mas é um exemplo perfeito de piloto experiente, pois se não tinha centenas de milhares de quilômetros rodados, tinha todos os cuidados e conhecia sua moto como poucos.

Piloto experiente não depende de sexo ou idade, depende sim de ter vontade em aprender como tirar o melhor possível de seu equipamento e seu desempenho físico. Ela não tinha o porte físico para andar de Harley? Então vamos adaptar a Harley ao porte físico dela e nisso o trabalho foi perfeito. Ela afirma que a moto dela foi perfeita até o último dia dela (da moto), pois se não fosse assim ela não teria sido jogada fora do assento antes do caminhão passar por cima da motocicleta como aconteceu.

Não se iludam com “fraquezas aparentes” de determinados pilotos que encontramos pela estrada, pois eles com certeza não chegariam tão longe na estrada se realmente fossem fracos. Uma HD pesa pelo menos 250 Kg (as Sportsters) e não são um brinquedo fácil de conduzir, mas podem ser conduzidas por qualquer pessoa.

Publico esse post por conta do preconceito que existe contra as mulheres que andam nos grupos de motociclistas, que para muitos representam um pecado original. São vários os motoclubes e motogrupos que não permitem sequer que mulheres compartilhem a moto na garupa, quanto mais no guidão.

No HOG RJ temos vários exemplos de mulheres bastante experientes e com uma habilidade acima da média e nem por isso deixei de ser surpreendido por rumores de comentários onde pregavam a idéia de que se fosse um homem no guidão o acidente que aconteceu com a Silvana não teria ocorrido. Sou parcial na análise desse acidente e por isso não vou veicular a minha análise do mesmo, mas com certeza se houve essa idéia de que não aconteceria se fosse um homem no guidão ao invés da Silvana fica demonstrado a presença de um preconceito que não merece prosperar em nenhum grupo de motociclistas.

Exemplos de pilotos mulheres andando de Harley ainda são poucos, mas estão aumentando e a Silvana tem muito orgulho, e eu tenho muito orgulho dela por conta disso, de ser uma das precursoras do LOH aqui no Rio, junto com Valéria Gomes (ex-diretora do HOG RJ), Claudia Fujarra, Valéria Aranha (com várias viagens longas na bagagem) e Erika Grigorevski (que consegue customizar sua Harley com suas boas idéias).

O acidente que ocorreu foi uma fatalidade, já escrevi sobre isso, e poderia ter acontecido com qualquer um de nós. Não ocorre porque ela foi inábil ou inexperiente e muito menos aconteceu porque ela é mulher.

Deixo para vocês julgarem se merece ou não prosperar essa idéia de que o acidente não teria ocorrido se fosse um homem no lugar da Silvana.

2 comentários:

Daniel disse...

Quem falou isso é um idiota que acha que nada nunca vai acontecer com ele.

Estatisticamente, mulheres se envolvem em muito menos acidentes do que os homens.

Aliás, acidente fatal de moto ou carro é quase predominantemente masculino.

PHD Roque II disse...

Caro Wolfmann,

Isto é sem dúvida puro preconceito. É no mínimo ridículo associar o acidente da Silvana ao fato dela ser uma mulher.

Espero ter o prazer de, junto com a Cláudia, conhecer você e a Silvana pessoalmente.

A corrente positiva continua firme e forte!

Um forte abraço,

Marcus Roque
PHD Roque II