sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

to be HD or not to be HD? That´s the question...

A Dyna mostra os motivos para ser considerada como a entrada no mundo das Twin Cam: como o preço é bastante competitivo e o brasileiro adora comprar cilindrada sem levar em consideração o perfil de uso, o consumidor que procura uma moto grande e com preço bom pensa na Dyna e muitas vezes comparando com outras marcas e outros segmentos como as Bandit e BMWs da série 800 por conta de valores de compra.

Nesse momento aparecem as dúvidas: vale a pena, gasta muito, é pesada e etc.

Nos fóruns de proprietários temos sempre as mesmas conversas e a conclusão que sempre aparece é que se você não quer uma HD, dificilmente irá encarar as características que regem o mundo HD.

Temos vários problemas conhecidos e que espero que sejam resolvidos com uma atuação forte da HDMC no mercado brasileiro. As motos tem diversas características que as tornam diferenciadas em relação às demais custons presentes no mercado e não dá para comparar alhos com bugalhos (além de ter duas rodas e motor: Suzuki Bandit, BMW F800GS e Dyna não tem mais nada em comum).

Minha resposta em um dos tópicos do Fórum do Motonline (http://www.motonline.com.br/) fala exatamente sobre essa escolha entre modelos tão diferentes, em que o colega em dúvida recebeu várias informações e recomendações para fazer test-drive.





A questão do test drive continua sendo muito complicada, e não apenas na HD.

Sempre que vou fazer um test drive, se o vendedor não for conhecido de muito tempo, o máximo que se consegue é uma volta no quarteirão ou pouco mais.

No RHD haviam os ride drive: para quem conhece o Rio era uma volta pela pista do Aterro do Flamengo retornando à Marina da Glória, para quem não conhece era uma volta de 10/15 minutos em uma pista praticamente reta, com apenas uma curva mais fechada em um piso que não reflete a condição de uso que se encontra na maior parte do tempo e com velocidade limitada pelos radares de velocidade.

A impressão que se tem ao terminar este ride drive é que a moto é ótima, independente de marca ou modelo, porque não existe simulação de uso, simplesmente uma volta para se acostumar com os comandos: você não freia forte, não acelera forte e não faz curva rápida, sempre com bom piso.

Eu desconsidero o test drive como fator de decisão de compra, serve para descartar o que não me agrada logo na primeira impressão, mas não tira dúvida entre dois modelos que estou pesquisando.

Vale mais as impressões de proprietários que o test drive. Proprietário usa o veículo e sabe onde é o calo. Dessas opiniões eu vejo se quero encarar o desafio de usar ou não porque mesmo assim é subjetivo.

HD não é moto de números ou resenhas: ou você quer uma ou não. Se quiser a moto vai encarar todo e qualquer pepino exatamente porque você quer a moto. Se tem dúvidas sobre o seu grau de satisfação em comprar uma, desiste.

As HDs já começam na contra-mão nos controles: seta em cada lado do guidão, buzina no lugar do start. Ligou a moto, ela parte pesada e celebra com uma bela explosão nos escapes. Engata a primeira e parece que caixa de marcha vai cair. Sai com a criança na rua e o motor torcudo vive te surpreendendo com o empurrão... e por aí vai, é diferente de tudo quanto é japonesa ou européia.

Eu nunca fui um fã da marca. Andei com as custons japonesas por nove anos e comprei a Fat por insistência da Silvana porque o modelo que eu queria não tinha (uma Night Train) e acabei sendo um dos defensores da marca e do uso da marca porque a moto me conquistou com a simplicidade e confiabilidade. Minha moto não me deixa na mão, conheço bem e sei que senão abusar dos limites não há coisa melhor. Se abusar, nem que seja levemente, a moto vai te derrubar porque é pesada e com Centro de Gravidade baixo.

Eu recomendo a qualquer um, mas os modelos tem diferenças entre si e para o meu uso precisam ou não ser melhoradas. Entre Dyna e Softail, eu prefiro uma Softail. Um grande amigo meu diz que Softail é moto de coxa, no que tem razão... foi a primeira ser montada nos coxins de borracha e isso para mim é qualidade e não defeito.

Os puristas andam atrás de carburadas, que vibram e rebolam quando entram nas curvas. Tentam tirar "200 cavalos do motor EVO", mas esquecem da inércia na hora da freada.

Walves, a moto é boa, as concessionárias são fracas e os preços praticados no mercado oficial são caros. A fábrica diz que isso vai mudar, mas em quase um ano de atuação vejo que mudou apenas o gerente... o resto segue o mesmo, inclusive contratando ex-funcionários.

Se tiver a fim da moto, compra porque a moto é show de bola. Se tiver dúvidas por conta de fatores extra-moto, não compra para evitar se aborrecer como o Jacques se aborreceu.


Isso gerou uma série de comentários, mas o Andreati, colega forista dono de uma Dyna e que já rodou um pouco com a moto sintetizou perfeitamente os motivos para escolher uma HD:



viajando um pouco sobre as diferentes formas de encaras as "características" (defeitos???) das HDs, posso estar falando uma bela besteira e gostaria de saber o que os amigos pensam a respeito, mas minha visão é + ou - essa:

Há muito, muiiito tempo atrás, num reino distante... ops, me empolguei...

recomeçando

Há algum tempo atrás, devido há deficiências tecnológicas e/ou menor exigência do mercado, as motos (veículos, em geral) eram cheias de coisas que hoje seriam consideradas defeitos. Vibravam, esquentavam, o câmbio fazia barulho, não eram lá muito estáveis.

Aí, com o aumento da tecnologia, redução de custos, aumento de concorrência e consequente maior exigência dos consumidores, as motos foram "evoluindo". Menos vibrações, mais potência, menos ovos fritos, mais estabilidade... E foram ficando cada vez mais parecidas, ao menos tecnicamente. Ou alguém acha que existe graaandes diferenças entre uma Hornet, uma Z750, uma Fazer 600 e uma Bandit?? Tem lá as suas diferenças, uma é (um pouco) mais potente, outra (um pouco) mais confortável, e por aí vai. Mas no geral são bem parecidas, não tem características que as destaquem claramente das rivais.

Aí um fabricante que era um pouco mais doido que os outros resolveu manter os "defeitos" das motos de antigamente, apenas minimizando os efeitos, e consequentemente mantendo não só o visual mas também um pouco do "feeling", das sensações, de toda a magia que era (é) pilotar aquelas maravilhosas máquinas antigas e cheias de "defitos".

Então, quem estiver disposto a encarar o "restinho" dos "defeitos" das motos de antigamente, tem mais é que mergulhar de cabeça numa Harley-Davidson. De novo, chacoalha em marcha lenta (lindamente!!!), esquenta no trânsito, te obriga a maneirar nas curvas... faz um barulhão (delicioso!!!) ao engatar a primeira... mas não é nada que não dê pra conviver... pelo contrário, pra mim isso é só parte da experiência, se "arrumassem" esses "defeitos" podiam mudar o nome para Honda-Davidson heehehe

É isso que faz de nossas motos únicas.

_____________

Agora, se acha que esses "defeitinhos" são ruins pra vc, vá para as japas ou BM... antes de comprar a minha pensei seriamente numa Banditona 1250. Não vibra, não esquenta, faz curvas, o câmbio não faz "clunk!!"... e por isso mesmo não tem 0,00001% do charme ou da sensação que uma HD proporciona.

Sim, estou parecendo um aficcionado falando. Juro que eu não era. Culpem a Dyna por isso, não eu.


É isso. Se você não sabe o que te esperar, o Andreati já resumiu. Se mesmo assim você continua em dúvida, não vai ter como explicar melhor... mais uma vez recorro ao jargão: "se eu tiver que explicar, você não vai entender".

6 comentários:

Alexandre Marinho disse...

Não tem botão de "Curtir" nisso aqui não??? kkkk

BlogdaJóia disse...

Mais um ótimo post do Wolfmann!

HD ou você quer ter uma ou não. Esse negócio de ficar comparando tecnologias e "qualidades", que sempre vem acompanhadas de itens subjetivos, não servem pra quem deciciu que quer ter um HD.

Eu sempre sonhei em ter uma e quando comprei (há pouco tempo atrás)e comecei a usar constantemente, percebi que era exatamente aquilo que sonhava e, como disse o Wolfmann, "se tentar explicar, não vai entender".

andré disse...

A FXD é a mais bandida das Harleys e é o modelo mais utilizado pelos 1% .Abs.

Luis Augusto - Gugu disse...

Eu tambem tinha minhas duvidas e desconfiança quando troquei as japas pela harley, depois eu descobri que era uma "droga", me visiei!!! realmente essa é uma experiencia que todo motociclista deveria passar um dia! abç

Wilson Roque disse...

Excelente postagem. Cada um frequenta a praia que gosta. Eu não discuto preferencia por marca de motocicleta, como não discuto tipo de automóvel (eu gosto de camionete!). Tive várias Hondas (gostava muito), tive uma Yamaha (foi legal enquanto durou) e curto muitíssimo uma HD Ultra Glide. Além da minha, já rodei com duas nos EUA (uma 2010 por 8.000 km e uma 2012 por 5.000)e gostei muito. Só troco de modelo (meu sonho de consumo é um Trike), mas não de marca.

Anônimo disse...

Concordo com um comentário: as FXD são as H-D mais bandidas de toda a linha. Tenho uma 2009 Black Pearl, troquei o guidão (pus um meia seca-sovaco), o banco (por um solo) e os escapes (que faz um barulho gostoso de ouvir). Fiz dois anos com ela e estou cada vez mais apaixonado. A vibração do motor em marcha lenta, a pancada ao acionar a primeira marcha com o motor ainda frio, a pancada ao acionar o start todo dia quando vou trabalhar, isso tudo é um ritual, um charme de uma máquina que tem alma! Ela só me dá alegria e não penso em trocá-la por outra (principalmente Softail) tão cedo. Abraços a todos,
Cezar - Niterói/RJ