domingo, 18 de abril de 2010

FTD: a posição do HOG

Neste sábado fui surpreendido, antes mesmo de entrar na loja HD RJ, por um amigo do HOG RJ que comentou sobre um documento onde eram pedidas assinaturas de membros do HOG em apoio à HDSP (Grupo Izzo).

Não cheguei a entrar na loja, estava passando rapidamente para cumprimentar os colegas que iam no passeio e todos já estavam do lado de fora aguardando a formação do trem. Não chequei a ter acesso ao documento. Pelo que observei do lado de fora, os novatos eram abordados pelos vendedores e alguns assinavam, mas a maioria se recusou a dar o apoio a essa iniciativa da HDSP.

Acredito que essa iniciativa da HDSP tenha como objetivo servir como prova de satisfação dos proprietários no processo judicial sobre o contrato em vigor com a HD USA.

No domingo almocei com o Rodolfo, diretor do Chapter RJ, e inicialmente o documento foi enviado aos diretores para, na qualidade de "representantes" dos membros do HOG, ser assinado e enviado de volta à HDSP. No HOG RJ isso não aconteceu e por conta disso foi feita a movimentação em busca de assinaturas na loja durante o café da manhã.

Afinal de contas, o que o HOG tem a ver com isso tudo? E como o HOG pode influenciar?

O HOG foi criado em 1983, com a retomada da HD pelos proprietários tradicionais da AMF. A marca encontrava-se desgastada e essa iniciativa promovida pelos proprietários de motocicletas da marca se tornou um alicerce para o reerguimento da marca.

Hoje o HOG é marca registrada da HD e deve ser um dos instrumentos de divulgação da marca mais eficientes, pois um dos grandes diferenciais na compra de uma HD é a irmandade de proprietários que recebe o novo proprietário sem qualquer restrição. Aonde você chegar de HD e existirem outras HDs, logo se forma um grupo para falar sobre assuntos ligados à marca e a motocicleta (não vem sendo diferente durante essa fase de litígio judicial entre a matriz e seu revendedor).

Mas se o HOG é marca registrada da HD e por obrigação contratual todo dealer deve manter e patrocinar a estrutura do Chapter local, os diretores e membros do Chapter não tem qualquer vínculo com esses mantenedores além da divulgação da marca.

Os diretores não são assalariados, os membros não contribuem para o Chapter (contribuem para o HOG internacional) e todo o trabalho desenvolvido para organizar e orientar passeios, treinar os novatos e contribuir para a confraternização entre os membros do HOG é voluntária.

O cargo de diretor não é fruto de eleição entre os membros do Chapter. É escolha do gerente da loja (dealer) e tem "mandato" de três meses que pode ser renovado conforme o interesse do diretor em permanecer com o ônus do cargo.

É certo também que o cargo não traz somente obrigações. Dentro do patrocínio do Chapter, o dealer dá desconto em peças usadas nas revisões (além de bancar o café da manhã dos sábados).

Esse formato liberal do HOG traz um diferencial importante em relação a outros motoclubes: não existem obrigações a serem cumpridas pelos membros para se manterem como membros ativos do HOG. Não existe punição para o membro que só aparece no HOG Rallye e não participa dos passeios e muito menos existe a imposição de ser aceito por todos os demais membros para fazer parte do HOG: basta ter uma HD (nova ou usada) para fazer parte do HOG.

Dito isso, temos essa situação entre revendedor e matriz. O HOG deve abrir mão dessa independência para apoiar algum dos lados? Qual será o destino do HOG se o dealer atual deixar de patrocinar o Chapter? O HOG Brasil vai acabar se o dealer perder a disputa judicial?

O HOG não acaba enquanto existir essa disposição de bater papo e viajar junto com outros amigos de HD, seja ele mantido ou não pela HDSP. Se existir outro dealer, esse terá a mesma obrigação que tem hoje a HDSP de manter o Chapter local e dar condições para o trabalho do HOG em divulgar a marca.

Em relação à independência do HOG em relação a isto tudo, a resposta dos diretores do Chapter RJ, enviada à HDSP e aos demais diretores de Chapters é a não concordância com o documento ou com a exigência em se filiar a um dos lados nessa pendenga jurídica.

Acho relevante a divulgação do documento enviado aos diretores e mais relevante ainda a posição tomada pelos diretores do Chapter RJ. Seguem íntegras de ambos documentos. Primeiro o documento enviado pela HDSP (sob o manto do HOG Brasil) aos diretores (e no sábado na loja HD RJ em busca de assinaturas):

Chapter Brasil.


Eu_____________________________________________________,portador do RG_______________________, Diretor do HOG Chapter _________________________________, gostaria de esclarecer que a HDSP através das atividades sociais promovidas pelo HOG logrou incentivar a participação dos clientes e dos associados no pleno desenvolvimento da marca Harley-Davidson no Brasil.

Como membro do HOG, me orgulha muito em trabalhar de forma comunitária para o crescimento da marca e para a satisfação dos associados, resultando conseqüentemente no aumento das vendas, fazendo da marca H-D no Brasil um desejo de consumo e principalmente, transformando a vida de muitos clientes.

Assim sendo, a HDSP nunca mediu esforços para que esse processo de satisfação dos clientes nos motivasse a continuar no HOG e lutar junto a ela pela plena satisfação dos proprietários de H-D que por nós aqui são representados.


__________________________, _________ de Abril de 2010.


_________________________________
Ass.


É preciso notar que o último parágrafo do documento é uma demonstração explícita de apoio ao dealer e não representa em hipótese alguma a real situação dos proprietários de HD no Brasil, deixados à própria sorte para resolver os problemas de entrega/licenciamento e garantia das motos vendidas pelo dealer local.

Esse documento deveria ser entregue ao gerente da loja ou enviado por fax e visava demonstrar "a quem possa interessar a seriedade e confiabilidade das ações" (extraído do e-mail enviado pelo José Tadeo - diretor do HOG Brasil e funcionário da HDSP)

A resposta dos diretores do Chapter RJ explicitando a não concordância com a iniciativa:

Prezado José Taddeo.

Nós diretores do HOG RIO temos a honra e o orgulho de coordenar o grupo de proprietários de Harley-Davidson no Rio de Janeiro, fazendo um trabalho comunitário de socialização com nossos associados, promovendo passeios bate&volta e bate&fica, festas de confraternização, consequentemente divulgando a marca Harley-Davidson e gerando satisfação para os proprietários dessa notória marca.

Não obstante, não concordamos com a associação deste trabalho comunitário desenvolvido no HOG RIO, com qualquer política de vendas ou pós-vendas da HDSP (Grupo Izzo), que trancende em muito as atribuições desta diretoria, motivo pelo qual não estaremos assinando a referida carta.

Outrossim, continuamos empenhando nossos esforços para contribuir de forma positiva para a continuidade do sucesso dos Chapters e do HOG Brasil.

Saudações.

Atenciosamente,
Diretoria HOG RIO
Francisco Ferraz, Rodolfo Ferreira, Rogério Barros


Não posso falar pelos demais Chapters, mas aqui no Rio o HOG continua independente e tratando dos assuntos pertinentes aos interesses de seus membros: um serviço de pós-venda de melhor nível que possa fazer jus à tradição da marca, divulgar a marca e manter a unidade e camaradagem entre os proprietários das motocicletas da marca.

E continuará assim seja qual for o desfecho da ação judicial, que na minha opinião só pode ter um desfecho: quebra do contrato e abrindo a concorrência dentro do mercado brasileiro.

16 comentários:

Paulo Kastrup disse...

Adelino, muito boa a posição dos diretores do HOG Rio....espero que os outros Chapters tomem a mesma posição.

HARLYSTAS - RIO GRANDE DO SUL disse...

Grande Wolfmann,
Um grande VIVA aos CARIOCAS ! Isso sim é atitude. Por conta do PROCESSO junto ao MINISTÉRIO PÚBLICO, circulou algo assim aqui no CHAPTER PORTO ALEGRE. Porém a diferença esta na postura dos diretores do RIO em relação aos de PORTO ALEGRE, que atenderam a solicitação da época juntamente com alguns clientes. A DIRETORIA daqui "serve" aos propósitos da LOJA, não aos da marca. REI

Vicente disse...

Comprei uma moto Harley-Davidson 0km em 2008 e não recebi absolutamente nenhum contato do HOG. Um ano depois o HOG dos USA mandou um boleto para "renovação" da assinatura. Até hoje não sei assinatura de que.

wolfmann disse...

Vicente, todo proprietário de HD zero km é automaticamente registrado no HOG Internacional, com direito a receber um patch, um pin e 4 revistas em um ano.
Se interessar, o proprietário pode manter seu registro como membro do HOG internacional por cerca de 50 doláres/ano.
E para participar do HOG, você não precisa estar registrado, basta aparecer nos cafés da manhã e sair com o grupo para o passeio.

wolfmann disse...

Reinaldo, os diretores do nosso Chapter simplesmente estão mantendo a coerência. Acompanhei os problemas que ocorreram no Chapter Porto Alegre e cada um deve dar respostas à sua consciência.
São notórios os problemas com o pós-venda e garantia e o mais correto dentro desse cenário é a quebra do contrato e abertura do mercado a novos revendedores visando salvaguardar a marca.
Negar isso é tentar tapar o sol com a peneira. A busca de um acordo que possa dar chance de novos revendedores, mantendo o atual revendedor dentro do grupo de revendedores me parece a solução mais viável e inteligente. Deixar que o mercado consumidor decida o destino da HDSP é mais do que justo.
O HOG não faz parte do Grupo Izzo, por mais que trabalhe em prol da divulgação da marca HD. O HOG é parte da tradição HD e como tal deve ser protegido e não ser tratado como massa de manobra por qualquer uma das partes.
Razões de fato e de direito existem para que a rescisão seja decidida na justiça e a existência do HOG não é uma dessas razões.
Sei que outros diretores dos demais Chapters se comunicaram com os diretores do Chapter RJ, mas não sei quais foram as decisões tomadas. Espero que o Chapter RJ sirva de exemplo para os demais Chapters não pelo mérito da decisão tomada, mas sim pela necessidade de se manter a indepedência do HOG.

Vicente disse...

Wolfman, foi isso o que ouvi falar, mas esse "automaticamente" não aconteceu, ou seja, nada de patch ou pin. Não que eu quisesse esses brindezinhos depois do atraso na liberação da documentação para o emplacamento, mas é mais um exemplo da falta de seriedade e respeito que caracterizou esse negócio. Ando de moto há muitos anos, já comprei várias (de outras marcas) e nunca tive tamanha decepção. Talvez por isso é que fui iludido tão facilmente.

wolfmann disse...

Vicente, houve algum problema com o seu registro. Provavelmente endereço errado enviado pelo dealer brasileiro.
Infelizmente o canal com o HOG internacional é telefone ou carta, mas bastaria reclamar que eles provavelmente resolveriam o problema.
Vários colegas tiveram alguns problemas com o HOG internacional que foram devidamente resolvidos durante viagens aos eventos americanos nos hospitality center do HOG.
Infelizmente não posso te ajudar além dessas informações. Lamentável o ocorrido.

Wilson Roque disse...

Parece que o Grupo Izzo está atirando para todos os lados, numa tentativa inútil, na minha opinião, de evitar o inevitável. A H-D já decidiu que vai romper o contrato de exclusividade com o Grupo Izzo e não voltará atrás. O Grupo Izzo pode, até, postergar este desfecho por alguns meses. Mas vai perder a exclusividade e pode, até, perder a concessão de vender a marca no país.

HARLYSTAS - RIO GRANDE DO SUL disse...

Wolfmann,

Este POST apareceu no BLOG do ROQUE ? Será ?

Anônimo disse...
Boa Tarde
Queria informar que o Grupo Izzo desistiu da ação para poder vender outras marcas de Motocicleta,e a Harley pediu reconsideração do despacho do Exmo Juiz,em sua descisão,juntando aos autos quase 1500 documentos,entre còpias de Notas Fiscais,E-mails de clientes,reclamações(por escrito) e mais uma sèrie de denuncias.
Vamos aguardar a descisão do magistrado.
Abraços

wolfmann disse...

Reinaldo, tudo que a gente pode fazer é especular. O acesso ao site do TJ SP é bastante complicado e muitas vezes está fora do ar, mas na última consulta que fiz (20/04) pude perceber que os advogados do Grupo Izzo estavam interpondo novo recurso para procrastinar o andamento do processo.
A questão de desistir de prosseguir com o recurso do Agravo é meramente estratégica, visto que o principal resultado já foi atingido (a manutenção do contrato em vigor) e não haveria forma de anular a decisão que proíbe a venda de outras marcas pela HDSP (deve ser obrigação contratual pois a tese para a rescisão do contrato é falta no cumprimento do dever contratual pela HDSP).
Além disso, o Grupo Izzo já se preparava para criar nova empresa para revender as demais marcas em Fevereiro deste ano, acatando a decisão antes mesmo de ser proferida.
O novo recurso interposto tem mais base para prosperar nas instâncias superiores, uma vez que argui o valor atribuído para a causa pela HD. O valor da causa é base para pagamento de custas e honorários advocatícios. Quanto mais alto o valor atribuído maiores serão as custas e honorários. Existem várias jurisprudências a esse respeito e essa discussão pode ser levada mais facilmente a Brasília.
O processo já atinge um volume enorme (mais de 4000 páginas pelas referências das decisões publicadas) e devem existir ainda várias razões para a interposição de recursos.
Se o processo seguir o ritmo atual, o contrato vai terminar antes de uma decisão judicial.
A possibilidade da situação atual, com o revendedor em estágio pré-falimentar e a fábrica fazendo operação tartaruga para atrapalhar o revendedor deve persistir até um acordo extra-judicial que possa extinguir a ação inicial.

Anônimo disse...

ATENÇÃO CUIDADO COM NOVA EMPRESA DO GRUPO IZZO CHAMADA DE LPAP.
ACREDITEM,MAS È VERDADE,VÃO MUDAR O NOME E CONTINUAR COM A REVENDA.

wolfmann disse...

não é o melhor lugar para postar, mas acho que será coerente com o último comentário: ao criar uma nova empresa para revender o Grupo Izzo estará abrindo mão da exclusividade.
Pelos fatos que são de conhecimento público, a exclusividade é obrigação contratual no contrato pactuado entre a HDSP (Grupo Izzo) e HD matriz, não podendo ser extendida a outras empresas, salvo aditivo contratual. E não acredito que a HD matriz celebre esse aditivo com a HDSP.
No entanto, já tenho notícias de motos 2009 sendo revendidas como motos zero Km (e devem ser mesmo)por pequenos lojistas em São Paulo. A loja Só Veículos na av. Europa tinha cinco Fat Boys e duas V-Rods a venda por preço pouco superior aos preços praticados nas promoções.

Anônimo disse...

Ótimo post wolf!
Deveria ser obrigatória a leitura por todo novo PHD, pois trata sobre como uma tradição não pode ser confundida com negócios.
Abs,
Krazy Kaze.

Anônimo disse...

Olá

Curitiba,tambem tem hoje,anuncio de Fat boy,Heritage e Dyna zero km,na Fàtima motos,com financiamento e juros de 0,99%.
será que estão distribuindo mo0tos por lojas?
Ou estas já estáo comprando?
Vou averiguar e coloco novamente segunda feira
Abraços

Carlos disse...

O ideal não seria encaminhar estas informações para os advogados da HD-USA ? E quanto a esta noca empresa do grupo izzo de que se esta falando ?

HARLYSTAS - RIO GRANDE DO SUL disse...

Grande Wolfmann,
Acabei de entra no site da Fatima Motorcycles de Curitiba, e confere o post do ANÔNIMO, anuncios de diversos modelos H-D, a exemplo: FatBoy COR: Preta ANO: 2009KM: 0KM PREÇO: R$ 51.900,00 TAXA DE 0,99% COM 50% DE ENTRADA E O RESTANTE EM 24X DE R$ 1.260,00 *Moto zero km, pronta entregal !!
Segue o referido site:
http://www.fatimamotos.com.br/website.htm