sexta-feira, 9 de abril de 2010

e agora José: hd nova ou usada?

O processo HDxIzzo segue a sua marcha. As informações andam meio complicadas devido a dificuldades em consultar o processo no site do TJ SP, mas os foruns das comunidades harleyras continuam produzindo informações, assim como os blogs do PHD Roque e dos Harlystas RS.

Foram divulgados diversos processos contra o revendedor autorizado, vários deles visando despejo de imóveis locados pela HDSP, mas não se consegue saber a localização desses imóveis. Os processos existem, mas as pesquisas nos sites não trazem grandes informações. Do mesmo modo que circular cópias de e-mails enviados dando conta que a HD Goiânia vai fechar e que os modelos 2010 já estão recebendo reservas... ou seja, as informações são as mais contraditórias possíveis.

De um lado mostra a possibilidade de um acordo entre as partes, de outro mostra o Grupo Izzo dando sinais de que vai mal financeiramente e de outro mostra a HD USA usando a rede de revendas do Grupo Izzo para vender seus produtos no Brasil.

E onde fica o interessado em comprar uma moto nova? E como se comporta o proprietário de motocicleta em garantia que precisa de serviço?

O PHD Roque no seu blog (http://wilsonroque.blogspot.com) publicou algumas observações interessantes sobre esses questionamentos. Vale a pena conferir:"http://wilsonroque.blogspot.com/2010/04/harley-processando-o-grupo-izzo-4aparte.html" e "http://wilsonroque.blogspot.com/2010/04/o-grupo-izzo-finalmente-falou.html"

Dentro desse mesmo contexto, o Bocuzzi do Dark Side Riders postou no fórum HD (www.forumhd.com.br) uma opinão que concordo integralmente:

Alguns pontos fundamentais, na minha visão, dessa estória toda:
1) A Harley está mal das pernas não porque o Brasil vendeu menos, mas porque o mundo todo vendeu menos. É um produto altamente supérfluo, que em época de crise é rapidamente cortado de qualquer orçamento. Não adianta pegar o mercado de motos em geral no Brasil.
2) Se tem uma coisa que os caras da Izzo sabem fazer é promover a marca, fazer eventos, vender moto, etc., tanto é que relativamente popularizaram a marca e venderam muita moto, mesmo com a merda de pós venda que ele têm.
2.a) Alguns vão dizer "Eu não comprei minha moto na Izzo". Ok, mas o cara que te vendeu a usada provavelmente comprou uma 0km. Por quê? Simples: se você entrou "novo" nesse universo, é porque alguma moto entrou "nova" também, a menos que tenha alguém compartilhando moto por aí (ok, tem alguns que trocam de marca, etc., mas é uma minoria).
2.b) Vale lembrar que o serviço da Izzo sempre foi uma merda, e a matriz nunca deu bola pra isso.
3) Se a Harley que tirar o pé da lama aumentando as vendas aqui no Brasil - o que faz sentido, dado que somos um mercado emergente e que passou melhor pela crise do que o primeiro mundo - o caminho mais eficiente deve ser mesmo quebrar a exclusividade da Izzo, pois haverá sem dúvida um ganho de escala nesse trabalho de venda.
3.a) A própria HD USA, em pleno século XXI, não oferece email ou qualquer canal eletrônico como método de comunicação. Quem quiser falar com eles pode ligar (nunca testei) ou enviar carta (?!?).

Assim, a minha conclusão é que, se dermos azar de entrar outra Izzo como concessionária, só haverá desvantagens na quebra de exclusividade. Serão vendidas mais motos, o serviço de pós venda continuará uma merda, e consequentemente haverá mais consumidores insatisfeitos detonando a marca e vendendo as motos a preço de banana.

Sei que, em tese, a concorrência pode nivelar por cima esse serviço de pós venda... mas sei lá, em se tratando de Brasil, oligopólios, cartéis e etc., sou meio cético.


Hoje em dia a compra de uma HD vem sendo uma opção para consumidores realmente apaixonados pela marca ou para consumidores inocentes que desconhecem esse histórico e se interessam pelos preços praticados.

Levar sessenta dias para licenciar uma motocicleta assusta e deixa muito inquieto o consumidor desavisado. O clima de criado pelo processo judicial quebra a confiança no revendedor e acelera as dificuldades financeiras acarretadas pela má gestão do revendedor.

E nisso tudo o mercado de usadas toma outro solavanco e fica cada vez mais difícil negociar a usada para tentar adquirir uma zero.

Eu já sou um adepto de evitar a compra de uma HD zero por conta das várias opções com pouco uso existentes no mercado e agora com essa instabilidade do revendedor, a zero km é algo para deixar o consumidor perdendo o sono até o licenciamento.

Por enquanto existe uma certa garantia de que a entrega será honrada e a moto licenciada (afinal o banco que financiou o capital de giro do Grupo Izzo tem interesse em receber o dinheiro e não tem interesse em executar a garantia), mas logo o estoque financiado pelos bancos estará encerrado e os clientes que podem aproveitar os preços promocionais para pagamento a vista serão em número cada vez menor, agravando a situação do revendedor.

Motos 2010, somente se o Grupo Izzo pagar à HD USA e sem a confiança do mercado financeiro, vai restar apenas a opção de encomendar a moto na fábrica.

E os serviços tenderão a piorar com o aumento de serviço nas oficinas especializadas não credenciadas pela HD porque a oficina autorizada estará cada vez mais com menos condições de prestar os serviços.

Quem se interessar em aproveitar a situação, o faça sabendo dos riscos envolvidos nessa operação, e boa sorte.

Um comentário:

Wilson Roque disse...

Sem dúvida há um mercado para a marca Harley-Davidson e consumidores querendo comprar as motocicletas. Só isto explica o crescimento da marca, apesar do péssimo serviço prestado pelo revendedor. Há empresários sérios querendo representar a marca no Brasil, se a exclusividade for eliminada. E se prestarem um serviço pós-venda de qualidade, terão muito sucesso.