domingo, 19 de julho de 2009

Lavar a sua HD?

Quem me conhece pessoalmente sabe que sou inimigo da lavagem cotidiana da motocicleta. Essa estória de que os cromados precisam estar brilhando, que a pintura fica danificada pela sujeira ou que a melhor forma de evitar a ferrugem é manter a moto limpa e brilhando é exatamente isso: estória!

Existem casos onde a necessidade impera, como por exemplo para descobrir onde nasce aquele maldito vazamento de óleo ou quando escorre algum líquido extremamente corrosivo como fluído de freio.

E existem casos onde a última lavagem já tem muito tempo só com a chuva lavando e você acaba com pena da motocicleta e decide lavar.

Tanto no primeiro caso como no segundo caso, reza a lenda que você deveria levar para alguém fazer uma lavagem caprichada, cheia de solventes para tirar manchas e usando pressão na água para descolar aquela sujeira que ficou agarrada no escapamento.

Desista disso: lavagem de moto não é igual a lavagem de carro. Moto detesta jato forte e direcionado e solventes muito fortes somente. São muitas partes expostas, algumas muito delicadas e a água misturada com solvente tem o péssimo hábito de causar problema elétrico na motocicleta.

Seja delicado, use um pincel para tirar a mancha mais difícil e wd-40 para arrancar resíduos presos e derretidos pelo calor de escapamentos e motor. Cuidado com os discos de freio, manetes e pedais, além de locais que precisam se manter lubrificados como caixa de direção e cabos de acelerador e embreagem.

Depois de lavada, seque meticulosamente e ligue o motor para expulsar água que esteja escondida. Não deixe esquentar o motor porque você vai ver que precisa secar novamente. Depois da segunda secagem, ligue novamente o motor e deixe esquentar para ter certeza que está tudo realmente seco. Não é incomum que a moto falhe após uma lavagem, por isso ligue e aguarde o motor aquecer antes de desligar.

Lembre que o sistema de freio vai estar úmido e precisa de cuidado se for sair logo após terminar de secar. Silicone em spray costuma ser usado para garantir que não haja oxidação dos cromados e deve ser retirado o excesso.

Os assentos de couro devem ser mantidos hidratados para evitar que ressequem e quebrem nas costuras e o polimento nas partes pintadas costuma ser uma "faca de dois legumes", pois se mantém a pintura também deixa mais lisa e a possibilidade de escorregar em cima da pintura é grande.

Se você quiser ser extremamente meticuloso e decidir retirar o banco para limpar melhor, lembre que a caixa de fusíveis normalmente está embaixo do banco e em hipótese alguma jogue água lá, além de cuidado com a ECU das motos injetadas.

Aí vocês vão dizer: isso é conversa fiada só para a gente deixar a moto suja como ele faz. Não é! Todas as informações foram publicadas no Motonline de 18/07/2009 (www.motonline.com.br) em um artigo de Geraldo Tite Simões.

Vou publicar as partes mais interessantes do artigo:

18/7/2009 - Moto suja se lava em casa
Ê, domingão de sol, perfeito pra um rolê de motoca e... ela está toda suja. Muitos motociclistas nunca tiveram a curiosidade de lavar sua moto, simplesmente levam a uma oficina, ou lava-rápido e ficam felizes da vida. Cuidado! Existe uma mania nacional de lavar moto com água pressurizada, pulverização de querosene ou água quente. Esqueça tudo isso, arregace as mangas e vamos ao trabalho.

Primeiro de tudo, saiba que moto não é carro, por isso o que serve nos carros não funciona para as motos. Aquele festival de jato de água não faz mal ao carro porque ele tem carroceria cobrindo o motor, freios, cabos etc. Na moto, mesmo feita para suportar as intempéries, devemos proteger suas partes, digamos, íntimas. Todo mundo já viu o festival de cabos e fios que passam de um lado para outro. Quando a moto recebe um jato de água pressurizado, a umidade penetra nos chicotes elétricos e pode provocar o maior curto circuito. Por tudo isso, sei que vou entristecer muita gente, mas motos, a exemplo dos adolescentes, NÃO gostam de tomar banho!

Da mesma forma, muitos componentes móveis da moto são protegidos por anéis de borracha (os chamados o-rings), que estão na corrente e juntas como balança, pedal de câmbio e outros. Ao mandar um jato de querosene por cima de tudo, (ou qualquer outro solvente), estas borrachas sofrem um ressecamento e irão rachar, perdendo a capacidade de vedar a entrada de sujeira ou permitindo o vazamento de óleo. A água quente elimina a lubrificação de muitas peças móveis, sobretudo rolamentos e a corrente. Aliás, esta é a maior vítima do excesso de lavagem.

O pior de tudo, mas pior mesmo, que dá vontade de matar o desgraçado que lavou a moto, é o maldito querosene no disco de freio. O querosene é um solvente que leva óleo na sua composição. Caso alguém ainda não saiba, o óleo é um excelente redutor de atrito e os freios vivem de atrito. Eles são que nem sogras: adoram atrito! Se a gente melecar o disco de freio com querosene, na primeira frenagem a meleca vai impregnar as pastilhas e você terá nas mãos uma moto sem capacidade de frear nem pensamento. Sabe o que vai acontecer? Você terá de desmontar a roda, retirar as pastilhas e lixá-las até sair todo o querosene. Ou então ficar uma semana rezando para ninguém entrar na sua frente. Sei que muito féladamãe pulveriza querosene com aqueles compressores amarelinhos que não vou citar a marca. Fuja destes caras, porque eles devem ter convênio com o ortopedista da cidade.

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Mais dicas:

* Nunca, jamais, never, passe produtos químicos nos pneus, o famoso “pneu pretinho”, porque pneu já é preto e a química resseca a borracha.

* Não lave a moto em cima de plantas, tadinhas, elas morrem de asfixia com o querosene.

* Após a lavagem (ou lavação), lubrifique a corrente com graxa branca e também lubrifique o cabo de embreagem com óleo fino.

* Cuidado nas primeiras frenagens porque o sistema de freios estará molhado e frio.

* Lave a moto em intervalos maiores de 15 dias, melhor ainda a cada 30 dias.

* Aproveite a lavagem para verificar o desgaste de peças, checagem das lâmpadas e regulagens diversas.

* Os mais frescos podem retirar o tanque e banco, mas não jogue água nestas partes, limpe apenas com pano úmido.
- Geraldo Tite Simões, fotos Arq. pessoal

6 comentários:

Wilson Roque disse...

Eu não suporto motocicleta (ou carro) suja, nem mesmo empoerada! Sempre lavei minhas motos em casa, mas . . . nos últimos 3 anos moro em apartamento e simplesmente não dá. Pelo menos temos uma oficina especializada em Balneário Camboriú (a HD Point), que lava nossas motos profissionalmente.
Mas agradeço pelas dicas, sempre muito válidas. Abraços.

Victor disse...

Eu já suspeitava realmente que moto não gosta de água com pressão, mas como o assunto é lavagem, gostaria de perguntar:
E lavagem a seco? Tipo Dry Wash ou Meguiar? Os produtos utilizados podem prejudicar a pintura, os O-rings e/ou os cromados?

Abs
Bob Filho

wolfmann disse...

Senhores, como sempre dizem, os proprietários de HD são escravos da limpeza e do polimento (não me agrego nesse grupo, mas a moto fica mais bonita limpa).
Realmente não sou a pessoa mais indicada para falar sobre produtos e modos de lavagem, mas a lavagem a seco é um recurso que alguns colegas usam aqui no Rio e nunca reclamaram de qualquer tipo de desgaste de peças ou pinturas.

Wilson Roque disse...

O Wolfmann está correto na sua colocação. Temos que ter cuidado com qualquer produto químico. Eu ainda prefiro água e um shampoo para automóveis de boa qualidade. E muito silicone depois que a moto estiver seca, para proteger os cromados, especialmente para quem mora perto da praia.

Adalberto disse...

Olá, queria saber se o produto da autoshine para lavar autos é bom como o; limpa motor e roda, e o shampoo deles onde possui PH neutro. Minha Night Rod Special 2012 ta chegando e estou com medo da limpeza. Uns amigos americanos disseram que só limpam a HD com windex, porem aqui temos limpa vidros de outra marca né ainda mais para cor Denim (Fosca).

wolfmann disse...

Amigo, eu não sou a pessoa mais indicada para tirar suas dúvidas.

Lavo pouco, quase nunca, e quando lavo deixo em lava-motos.

abraço.