domingo, 10 de junho de 2012

a vida em duas rodas: qual o seu perfil?

Eu recebo muitos comentários que não considero pertinentes com o post e não publico. Nesses comentários vem perguntas do tipo: "devo ou não entrar para o motoclube?" ou "vale a pena ser membro do HOG?" ou ainda "o que um biker como você está fazendo no meio dos coxas?".

Viver em duas rodas tem muito a ver com a sua identidade. Tem muitos que se identificam com a imagem, outros com o compromisso com o grupo que elegem como família. Eu me identifico com aqueles que gostam de partilhar o prazer de não ficar preso a roteiros, imagens ou grupos.

Nunca cogitei em entrar para um motoclube porque não tenho o perfil necessário para viver o motoclube. Uma pessoa que quer pertencer a um motoclube sabe que terá pela frente o compromisso com os irmãos de clube, um compromisso que não pode ser deixado de lado porque aquele grupo existe para viver esse compromisso. É mais que uma religião ou uma família: é viver uma tradição e perpetuar essa tradição. Quem não entende isso não consegue viver nesse grupo. E por extensão, não existe "motoclube tranquilo" ou "motoclube sem muitas regras", até porque um motoclube tem suas regras de convivência que podem ser duras ou não, mas precisa necessariamente se basear na tradição de um grupo coeso, que passa a sua união para os mais novos e não pode aceitar ninguém que não se comprometa com o clube.

Meu perfil é de um comprometimento com minha família e meus amigos, que não pertencem necessariamente a um clube. Eu não me incomodo de ensinar ou auxiliar um colega mais novo e dou a ele o mesmo respeito que dou a um colega que me ensinou o que estou passando para o novato agora. Não havendo isso, não haverá amizade e sem amizade não vou perder meu tempo tentando ajudar quem não dá valor a isso. E nem sempre no clube você terá somente amigos e você vai ter de conviver com esses colegas, o que não me interessa.

O HOG, pelo menos o Chapter carioca, é uma associação de grupos que se relacionam conforme suas conveniências. Não existe compromisso com uma união entre seus membros e quando há algum fato que sensibilize a maioria de seus membros, age como se fosse um grande grupo. A solidariedade que recebi na época do acidente da Silvana são um bom exemplo de como o HOG consegue agir como um grupo coeso. A movimentação para os eventos HDMC são outro bom exemplo. Mas passeios organizados semanalmente nem sempre conseguem motivar os membros do HOG a agir como um grande grupo, simplesmente porque o passeio pode não interessar, algum amigo decide não ir por conta de algum problema particular e o outro decide não ir também porque não encontrará nenhum conhecido no meio dos novatos e assim por diante. O HOG, ao contrário dos clubes, não força convivência entre seus membros e nem exige comprometimento com a associação: vai quem quiser, o encontro semanal do café da manhã vale para ver quem vai para a estrada e se vai com o HOG ou sai sozinho ou mesmo fica zanzando pela cidade apenas para mostrar o acessório novo. O não compromisso para com o HOG permite que você se dedique  aos amigos que você tem no HOG ou que apenas frequentam o HOG.

Já vi grupos dentro do HOG formarem motoclubes que se fortaleceram na união do grupo menor, já vi colegas de HOG que ingressaram em motoclubes e acharam seu lugar e da mesma forma vi motoclubes que nasceram sem o comprometimento necessário com o grupo e simplesmente desapareceram e colegas que perceberam não ter o comprometimento necessário com todos no clube e não foram aceitos ou entregaram o colete.

Por isso me identifico com o HOG e não com um motoclube em particular: meu perfil é de comprometimento com as pessoas e não com o grupo. Isso me permiti ir aonde sou convidado, rodar com quem me permite e conviver com aqueles que gostam de conviver comigo.

Usar um colete sem se identificar com o escudo é algo que não se pode tolerar. Muitos desvirtuam o uso do colete com o objetivo de serem aceitos como "motoqueiros durões" e muitas vezes não rodam nem até a esquina de casa.

Eu uso o colete do Chapter RJ por me identificar com o esse Chapter do HOG. E uso sempre que acho necessário ser reconhecido como sendo membro do HOG, em especial do Chapter RJ. Se não julgar necessário deixo em casa porque não tenho compromisso com o HOG, como teria se fosse membro de um clube. Essa liberdade de usar quando acho necessário define a minha vida em duas rodas: livre escolha.

Livre escolha para usar o colete, para andar de moto quando quiser, para cuidar da moto da forma que achar melhor, colocar na moto o que achar que preciso, rodar com quem eu quiser, passar a experiência adquirida para quem tiver curiosidade e mostrar respeito para quem me respeitar.

8 comentários:

Wilson Roque disse...

O meu perfil é o da liberdade que o motociclismo me permite. Por isso, nunca fiz parte de um MC, exatamente pelas razões que vc relata. Convivo com meus amigos, por que são meus amigos. Não por que pilotam uma determinada marca de motocicleta, mas por que gostam de rodar numa motocicleta. Ainda acho que a melhor motocicleta é aquela que vc gosta e se sente bem em pilotar. O mesmo se aplica aos grupos de pessoas. Ter regras, quaisquer que sejam, cria barreiras para usufruir a liberdade que tanto aprecio no motociclismo. As únicas regras que não deixo de seguir são aquelas da boa educação e do respeito ao próximo. Mas o ser humano é um animal social e precisa se identificar com sua tribo. E os MC são o reflexo desse comportamento. Parabéns pela postagem.

Anônimo disse...

Também penso assim e, portanto, concordo com vc, Wolfmann, em todas as opiniões apresentadas neste post. Acho que regras rígidas não se coadunam com liberdade! Ainda mais no motociclismo, sinônimo de liberdade por excelência! Acho que muita regra acaba amarrando a vida da gente, e também nos forçando a uma coisa que a gente talvez naquele momento não estivesse realmente muito a fim de fazer! Aquela rotina de "todo" final de semana "ter" que viajar com o MC pra algum encontro de motociclismo não me agrada de maneira nenhuma! Por isso, tomo a postura de Alone Wolf, Lobo Solitário, e nem nos passeios do HOG não vou se não estou a fim! Se estiver, também, vou sem problema, conhecendo alguns ou mesmo não conhecendo ninguém mais de perto, apenas de vista. Liberdade não combina com obrigação! Ótima postagem e excelente opinião!

Anônimo disse...

sou da mesma filosofia, mas como estou iniciando nesse mundo não entendi o que você quer dizer com biker no meio dos coxas? É alguma gíria?
Marcelo Rodrigues

Vera Felippetto disse...

Olá Wolfmann, meu marido e eu formamos o nosso MC e também preferimos não nos comprometer com nenhum grupo, pois já tivemos várias experiências que demonstraram as dificuldades de relacionamentos. E como no caso da motocicleta, a LIBERDADE e ALEGRIA DE VIVER são o principal para nós, então nos sentimos muito bem tomando as rédeas do nosso destino e do nosso tempo. Saudações harleyras

Anônimo disse...

Grande Wolf.

Mas os problemas existem :
Eu frequento um grupo, no qual fiz amizades, mas é um grupo de Speeds (Jaspions), e isso simplesmente não dá certo.
Desisti de andar com eles, pois sou considerado "cadeirante", no meio das 1000 RR's (e não poderia ser de outra forma...rsss).
É importante que as motos que andam contigo sejam semelhantes (Custon's), pois senão fica inviável.
Essa conversa de que o que importa é a amizade, etc, é conversa fiada, pois se a moto não for compatível, o grupo vai pro vinagre.
Abraços.
Léo
Leoclima - Teresópolis.

Vonzodas disse...

Post bem interessante

Para falar sobre o que eu considero como meu perfil, devo passar pelas motivações que me levaram a ter uma moto. A história é meio longa, e para resumi-la, posso dizer que sempre tive o desejo de ser um motociclista. Em 2010, ano em que completei 40 anos, decidir realizar alguns desejos latentes, e a moto foi um deles. Nao por coincidência, entrei na CC para comprar a gorda uma semana depois do falecimento do meu pai. Conclui que em algum momento vou para o mesmo lugar que ele foi, então...

Depois que aprendi a pilotá-la, minha mulher arriscou um palpite acerca do que me motiva a usar a moto como veiculo primário no dia-a-dia. Disse ela: "acho que o que atrai é essa sensação de liberdade, né? Ter a opção de ir onde quiser, chegar mais rápido, vento no rosto... Liberdade mesmo, né?". Eu nao havia pensado nisso até então (o que realmente me atrai em estar em cima de uma moto sempre que posso).

Não é, de fato, essa "liberdade" proferida pela minha mulher, e também repetida em muitas opiniões que recebi de outros motociclistas. Nao é isso.

Quando criança e no começo da adolescência, como muitos, andei muito de bicicleta. No meu grupo, muitos até "customizavam" severamente as magrelas, pintando o quadro de preto, colocando guidom morcego, enfeitando os aros das rodas, etc. Mas o que ficou daquela época foi a sensação que eu tinha nos passeios mais longos, com muitas paradas, por ruas e praças que eu nao conseguiria chegar nem conhecer sem a bicicleta. A camaradagem, as brincadeiras, a sensação indescritível quando a gente "descia na banguela" pelas ladeiras que a gente encontrava pela frente. Tinha essa sensação de "desapego". Desapego com os deveres escolares, desapego com a "sociedade dos adultos"... Enfim, em cima de uma bicicleta eu me "desconectava" de um mundo, para me conectar com esse outro microcosmo que a gente formava.

Concluí que quando eu estou em cima da minha gorda, eu recebo de volta toda aquela atmosfera que eu saboreava quando eu era criança. Exatamente isso.

Claro, hoje as motivações são outras. Sou um adulto, pai de duas filhas. Meu destino em minhas viagens, na esmagadora maioria das vezes,, é o meu trabalho. Mas, quando estou pilotando... Ah, mas que prazer! Que viagem!

Meu perfil, então, é de "desapego". Acho essa palavra mais adequada do que "liberdade", no meu caso.

E com esse perfil, fui "invadindo" alguns dos grupos de motociclistas que conheci ao longo desses 18 meses. Atualmente faço parte de um grupo de amigos Motociclistas aqui em SP, e quando estou com eles, o que eu quero mais é comungar esse sentimento de desapego com eles. Jogar conversa fora, perceber a prazeroza coesão (por muitas vezes nem tão "coeso" assim...) do grupo na estrada, enfim... Voltar no tempo!

Nos cafés da HD, mesma postura. Nas visitas às garages e customizadores, idem. Essa postura é o que me define como motociclista.

E espero que eu fique sempre assim!

Douglas Ferreira disse...

Sou fundador e hoje tesoureiro de um MC aqui no interior do paraná, ainda somos novos, faremos 3 anos em março, mas tenho muito orgulho de minhas cores e do meu clube, seguimos muitas regras rígidas assim como MCs tradicionais, mas tem dado certo, crescemos 500% no ano de 2013. O Foda é que muitos membros entram - como "aspirantes - e consequentemente muitos não aguentam a pressão e saem.
Apesar da responsa de ser um escudado em um clube que esta crescendo, estamos atingindo nossos objetivos com louvor. ^^

wolfmann disse...

Vida longa ao seu MC, Douglas.