domingo, 12 de setembro de 2010

rendimento do motor com mistura muito rica

Há poucos dias relatei um problema de engasgos que foi resolvido provisoriamente com a abertura da tampa de combustível e consequente quebra do vácuo formado dentro do tanque.

Após a inspeção da suspensão e pneus, foi limpo o suspiro e verificado o pescador já que o tanque se aproximava do fim.

O suspiro apresentou ligeiro entupimento, resolvido com um jato de ar comprimido e o pescador funcionava dentro da normalidade.

Abri o coletor de admissão, já que tinha tido algumas ocorrências de combustão excessiva com liberação de fumaça quando ligava a moto.

O sensor MAP estava normal, a tampa do filtro apresentava fuligem excessiva e a entrada de ar estava extremamente suja mostrando que estava carbonizando em excesso.

A causa da carbonização é a mistura rica em excesso. Eu havia remapeado a injeção aumentando a mistura e a moto se mostrou mais fria, mas parece que isso foi em excesso.

A refrigeração se dava pela "lavagem" dos pistões com gasolina, apesar de não ter um consumo excessivo.

Além da carbonização excessiva, a moto apresenta mais dificuldade para dar partida com o motor quente e pode ser causa também de prédetonação ainda no coletor de admissão causando os backfires quando você solta o acelerador e o freio motor entra em ação.

Para solucionar o problema estou retornando a uma regulagem antiga, com algumas alterações bem sucedidas que implementei nos últimos mapas.

Como feed back para os colegas que fazem uso do SERT, mas que serve para qualquer outro equipamento incluindo os enriquecedores de mistura, vou deixar algumas observações:
- a melhor regulagem para tropicalizar a injeção é aumentar as tabelas VEs em 8%. Tentei 10% e foi excessivo;
- a tabela AFR original mostra uma relação estaquiométrica de 14,4:1 (14,4 partes de ar para cada parte de gasolina) preparada para atuar com 10% de etanol. Vale regular com valores abaixo de 13,8:1 (12,0:1 é a relação esperada para uma gasolina pura) para diminuir os backfires causados pela mistura pobre;
- a marcha lenta das injetadas tem valor mínimo permitido pelo SERT de 800 rpms. Recomendo baixar 50 rpms nas faixas acima de 1000 rpms até o valor default de 1000 rpms (faixa de 16 a 32º de temperatura do motor) e voltar a baixar 50 rpms nas faixas superiores a 32º até chegar a 800 rpms (96º em diante);
- pequenos engasgos na aceleração podem ser resolvidos aumentando em três pontos na tabela accel enrichment a partir de 16º;
- o mesmo acontece com as falhas na desaceleração e backfires diminuindo em 4 pontos na tabela decel enleament a partir de 16º;
- a tabela cranking fuel (controla o fluxo de combustível de acordo com o sensor CKP) deve ser alterada em 3 pontos a partir de 16º.

Esses valores decorrem das experiências que fiz nas regulagens na minha injeção e podem variar para cada uso e motor, mas vale a pena testar essas mudanças para tropicalizar o combustível (tabela VEs), melhorar a mistura (tabela AFR), regulara a marcha lenta (tabela idle control) e deixar a aceleração mais uniforme (tabelas accel enrichment, decel enleament e cranking fuel).

Não cheguei a implementar outras sugestões como atrasar o ponto da vela na faixa de baixa rotação para evitar que a marcha lenta muito baixa venha a apagar o motor ou a diminuição da constante do bico injetor para enriquecer a mistura usando a tabela original. Fica o registro das sugestões.

2 comentários:

Pedro Couto disse...

Wolf, com uma mistura rica a ponto de carbonizar na admissão e no filtro, você chegou a tomar nota do estado das velas?
Abs,
Pedrão

wolfmann disse...

Estavam bastante escuras, mas não chegaram a fundir o eletrodo. Limpei e segui com a vida.
Essas velas vão ser trocadas na próxima revisão de 48000 kms seguindo a periodicidade de troca a cada 24000 kms.
Achei relevante fazer esse comentário sobre a carbonização porque muitos vem usando o enriquecedor de mistura variável e os efeitos iniciais da mistura rica encorajam muito que se enriqueça cada vez mais a mistura (a moto anda melhor, fica mais fria), mas existe um ponto ótimo que não deve ser ultrapassado sob pena de carbonização excessiva ainda na admissão.
Não falo sobre mistura da gasolina no óleo como já relataram porque sou da opinião que isso não acontece por um excesso muito grande de gasolina na mistura, mas sim por problema de segmento.
O excesso de carbonização é um aviso para uma consequencia extrema de furo na cabeça do pistão (o que me motivaria a colocar o kit 95... hehehehe)