quinta-feira, 16 de abril de 2015

CAN BUS: afinal de contas, "what´s porris this?"

CAN, ou Controle Area Network, é uma rede de controle de instrumentos divididos por área geográfica.

E o que seria "área geográfica"? É um espaço delimitado fisicamente onde acontecem processos e ações.

"Traduzindo para o português": são módulos que controlam determinadas funções em tempo real e com menor taxa de erros, nas HDs são módulos como a ECU, BCM, TSM, TSSM, HCU (ABS) e suas comunicações.

Circuitos abertos ou curto-circuitos são identificados e geram código de erro pelas variações de tensão no circuitos elétricos podendo indicar desde uma falha no ABS ou no bico injetor até uma lâmpada de pisca queimado.

Por que adotar isso? Para minimizar erros que possam trazer reações diversas das reações previstas em projetos, como por exemplo o ABS liberar o freio sem que a roda tenha travado.

Como isso ajuda? Basicamente permite que sejam abolidos cabos, relés, fusíveis, válvulas entre outros elementos mecânicos que trazem um retardo na ação esperada. Imagine o ato de acelerar a moto: você vai iniciar um movimento na manopla enrolando um cabo que irá abrir a borboleta na admissão (ou acionar a borboleta no carburador). Esse ato leva alguns milissegundos a mais que o envio de um estímulo elétrico atráves de um circuito, acarretando um delay entre enrolar o cabo e a moto subir o giro. Com o acelerador eletrônico isso acontece em tempo real te permitindo uma dosagem melhor entre ato e resultado.

CAN BUS é o entrelaçamento entre os diversos módulos para o melhor gerenciamento das diversas ações que podem acontecer enquanto se usa um equipamento: é o ato de acelerar, acionando o pisca, entrando na curva com sujeira fazendo a roda deslizar e obrigando ao ABS evitar a perda de tração.

Sem essa tecnologia embarcada, o delay no acionamento do ABS pode te levar ao tombo.

Além desse gerenciamento, a tecnologia CAN também diminui a taxa de erros por falhas de equipamento. Como os elementos mecânicos (onde a taxa de falha é sensivelmente maior) são abolidos ou tem sua importância relegada a processos mais simples, o nível de falha diminui a valores muito próximo de zero, aprimorando a segurança e uso do equipamento.

Lógico que nem tudo é perfeito: para adotar essa tecnologia, a necessidade de um circuito elétrico muito mais balanceado é fator de absoluta importância, e a gente sabe que o circuito elétrico nunca foi o forte da HD. É verdade que a confiabilidade vem aumentando com o tempo e em tempos de Rushmore Project as maiores queixas foram defeitos nas válvulas de termostato, vazamento de água e linhas de freios mal posicionadas, mostrando avanço no dimensionamento do circuito elétrico dos motores TC103/TC110 em produção atualmente.

Infelizmente o circuito elétrico dos TC96 ainda apanha bastante, vide os inúmeros relatos de problemas nos reguladores/estatores/baterias nas motos entre 2011 e 2013. Nos modelos 2014 isso diminuiu bastante, o que me leva a crer que apesar da motorização antiga, o circuito elétrico foi modificado.

No estágio atual da tecnologia embarcada nas HDs, tudo leva a crer que em breve poderemos ter um desenvolvimento de controle de tração e consequente controle de estabilidade, pois os novos freios combinados são o primeiro passo para o gerenciamento eficaz da tração através da ação do freio compensando as inclinações que o BCM já mede desde os tempos da ECU do TC88, ou exemplificando o processo: o BCM mede a inclinação visando evitar que se atinja o limite do CG, acionando o ABS para destravar a roda e deixando que o motor transfira para a roda tração suficiente para levantar a moto e corrigir a trajetória que estava desequilibrando a moto.

A tecnologia para isso já está na moto, agora é integrar circuitos usando o CAN BUS. O aprimoramento desse processo vai passar por um processador ainda mais rápido na ECU capaz de gerenciar o mapa de giro/aceleração para que o processo ganhe a segurança do freio motor no processo de corrigir a trajetória. Essa tecnologia ainda não está na moto, mas já está no mercado.

Apesar de todo esse aprimoramento ainda leio algumas críticas de puristas com saudades dos relés de pisca ou da dificuldade em sangrar a linha de freio. Algumas concessões precisam ser feitas em nome do aumento da segurança e eficiência como o delay entre o acionamento do botão da buzina e o efetivo toque da buzina ou o cuidado em respeitar as correntes elétricas de serviço de acionamento de leds e lâmpadas (é muito fácil acontecer um erro ao usar um acessório não HD como um farol de led Kuryakin pois a corrente elétrica é diferente da corrente elétrica de projeto do farol Day Maker HD, gerando erro de lâmpada queimada, mesmo com tudo acesso).

Por isso tudo que insisto no freio combinado e ABS de última geração como diferencial no projeto 2015 para a segunda moto: é a característica de projeto que sintetiza os benefícios da tecnologia CAN BUS.

2 comentários:

segundo araujo disse...

bom post wolf, voce sabe dizer se algum modelo hd 2015 ja possui freio combinado?

wolfmann disse...

Todas as Touring tem esse recurso desde que o Rushmore Project foi apresentado (2014).