sábado, 11 de janeiro de 2014

ABRACICLO: balanço 2013

A ABRACICLO divulgou os dados finais referente à 2013 e a HDMC tem seu melhor desempenho desde a inauguração da fábrica em Manaus, batendo os números do ano passado. Com 8198 unidades montadas e 8253 (incluindo as 13 Ultras CVOs importadas diretamente dos EUA), a HDMC recupera o primeiro lugar no segmento premium, batendo a BMW que a havia superado por pequena margem no ano passado.

Apenas como ilustração, a BMW produziu 4885 unidades e vendeu 7312 unidades (sendo 2402 unidades importadas diretamente da Alemanha).

A Best Seller da HDMC foi a Night Rod Special com 761 unidades vendidas, seguida pela Fat Boy com 753, XL 1200 custom com 747, V-Rod Muscle com 742 e Fat Boy Special com 677 completando o top five da HDMC.

Destaco a participação da família VRSC com 1503 unidades vendidas, respondendo por 18% das vendas e as duas versões da Fat Boy com 1430 unidades vendidas, respondendo por 17% das vendas. Os dois modelos mostram bem a preferência do mercado e consolida a posição da família VRSC dentro da HDMC Brasil como um modelo que conquistou seu mercado.

Outro destaque é a Road King, que teve 959 unidades vendidas incluindo as 445 unidades na versão Police que teve o excedente disponibilizado para o público e vendeu o dobro das Ultras (480 unidades vendidas). As forças armadas e policiais consolidam a preferência pela Road King para as funções de escolta e deram uma bela ajuda para a HDMC reconquistar o primeiro lugar no segmento premium (5% do total de vendas).

Os micos do ano foi a Dyna Switchback (169 unidades, menos 25% em relação ao ano passado quando foi lançada) e a Street Glide (209 unidades, menos 41% em relação ao ano passado, também ano de lançamento). Perdendo o atrativo de ser novidade, os dois modelos parecem ter um mercado bem menor do que mostraram no ano passado, embora ainda considere a Switchback o melhor custoxbenefício para quem quer um moto standard pronta para a estrada, já que as outras opções, Heritage Classic (432 unidades vendidas) e Ultra Limited (480 unidades vendidas) tem preço bastante superior e oferecem os mesmos ítens para a estrada (wind shield e alforges) de série. Lembrando sempre que não estou comparando os modelos em termos de conforto e performance.

A XR 1200 X vai deixar saudade: com 202 unidades vendidas (final de produção no primeiro semestre) o modelo mostra que ainda tinha mercado no Brasil, vendendo praticamente o mesmo que a Street Glide, modelo produzido durante todo o ano.

Outro detalhe negativo foi a menor participação das Sportsters 883, nas duas versões (Iron com 439 unidades vendidas e Roadster com 306 unidades vendidas) não conseguiram superar as vendas de 2012 de apenas uma das versões (Iron com 750 unidades vendidas) e a versão 883 amarga uma queda de quase um terço nas vendas. O desempenho da família Sportster só não foi pior por conta do Best Seller XL 1200 Custom que reduz a queda para apenas 8% em relação ao ano anterior. Vamos ver como a Sportster 48 modifica esse cenário, mas com as 883 superando os R$30.000,00 não espero muitas modificações.

Em 2014, com os lançamentos esperados das tourings Rushmore Project, a Sportster 48 e as Sportsters adotando o sistema de ABS, a HDMC deve conseguir superar novamente as metas, embora não deva contar com as vendas no mercado das forças armadas e policiais por conta do ano eleitoral impedir novas licitações.

No blog do Wilson Roque está listada a tabela de unidades vendidas, dados também da ABRACICLO, e ele mostra a tendência de queda nas vendas, fazendo notar a subida da HDMC nesse cenário (http://wilsonroque.blogspot.com.br/2014/01/motocicletas-vendas-em-queda.html ). Ele atribui isso a uma melhora no pós-venda, que eu discordo (deixei comentário na postagem).

O pós-venda precisa continuar melhorando, esse foi um assunto que fiquei conversando bastante na visita que fiz sábado passado ao dealer carioca. Alguns colegas acham que isso não será prioridade porque as vendas seguem aumentando mesmo com os seguidos problemas relatados nas redes sociais e o cliente continua preso à marca, sem se incomodar tanto com os problemas em manter a motocicleta. Ponto para o marketing HDMC, mas continuo afirmando sobre a necessidade que o dealer tem em fidelizar seu cliente oferecendo bons serviços e cobrando da montadora rapidez nos problemas de motos em garantia e melhores preços para reposição, pois o cliente compra a moto e se limita às revisões, deixando de voltar com o término do período de garantia. O universo de clientes na pré-venda não acompanha o universo de clientes no pós-venda e isso é problema para o dealer, não para a marca.

Dentro desse panorama, a HDMC decidiu ampliar o período de garantia para quatro anos das motos zero e oferecer o serviço de garantia extendida a quem estiver ainda em garantia ou muito próximo da expiração da garantia. Disso só se pode concluir o seguinte: ou a fábrica acredita mais ainda no produto vendido ou tem certeza que os problemas aparecem nos primeiros dois anos, deixando os anos seguintes para os dealers tentarem fidelizar seus clientes e aumentar o universo de clientes no pós-venda. Eu aposto na segunda hipótese.

5 comentários:

Wilson Roque disse...

O pós-venda é fundamental e é uma das características da Harley-Davidson nos EUA. Aqui no Brasil a Floripa Harley-Davidson provou que apostar no pós-venda dá resultado, pois vem constantemente superando as metas de vendas, superando outros revendedores que operam em áreas mais populosas e com maior poder aquisito.

Guilherme Guazzelli disse...

Segundo HDMC a família VRSC, só deu certo mesmo no Brasil. Para mim corre de nos próximos anos sair de linha como a 883 R e ficar só no mercado tupiniquim. É um modelo Harley para quem gosta da marca, mas não gosta do estilo. Nos Estados Unidos, a V-Rod representa apenas 2% das vendas da empresa.

A V-Rod, uma Harley estranha, deu certo só no Brasil (Exame)

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1057/noticias/a-heresia-que-deu-certo

wolfmann disse...

Guilherme, não leve em consideração o que foi escrito nessa reportagem. O repórter não fez o mínimo esperado para escrever a matéria, está cheia de erros crassos que apontam para um repórter completamente despreparado.

A família VRSC é forte no Brasil e mesmo que seja apenas para produzir para o Brasil, ainda assim deve continuar no catálogo por algum tempo simplesmente porque as vendas desses modelos são fundamentais para a posição de líder que a HDMC tem no Brasil.

Talvez o panorama mude com a nova família Street, mas por enquanto Lead ficam, assim como as 883R.

Embora o caso das R seja mais complicado por ser a mais barata e mesmo assim não conseguir destaque no catálogo Brasil. Essa sim vai ser prejudicada com a chegada das Street.

Guilherme Guazzelli disse...

Eu acredito ser o ultimo ano da 883 R, vai sair com a chegada da Street, e o já domínio da Iron. Para mim sair do catalog USA é entrar no CTI, para o óbito é questão de tempo. O caso da 883 R não será o mesmo da FX, Rocker ou da XR, a moto tá ai na cor diferente e pequenos detalhes e se chama IRON. É quase o fim de uma cor somente. É igual a FAT e FAT lo, tem medidas diferentes mas o cliente escolhe por causa da cor, chromo ou fosco. Agora que na VRSC 2% (mercado USA)é um fiasco, isso é. Se os caras jogarem a toalha pra ela nos USA, vão nacionalizar a moto aqui no Brasil com peças e alguns acessórios feitos para o nosso mercado, ai já viu a qualidade. Vc sabe que já existe esse plano de fabricar algumas peças e acessórios aqui no Brasil, e é o sonho dos Dealer brasileiros, já é real quando se fala de MOTORCLOTHES, as camisetas da Rio HD quando vem escrito Rio ou Brasil já é tudo de qualidade baixa e feito aqui, mas com preço de importada e sem etiqueta de identificação, é um Pirata HD registrada, tem costura lateral e tudo, diferente das chinesas feito para HD mundo, se colocar na maquina de lav. arregaça toda.

wolfmann disse...

SE passarmos a fabricar componentes, vamos deixar de ser montadores e passar a ter uma fábrica real.

QUANDO isso acontecer, a fábrica sai de Manaus.

Quanto aos Motorclothes, isso já foi feito no tempo do Grupo Izzo, acredito que voltará em breve devido ao prestígio do mercado nacional junto a HDMC.