sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Street 500/750: quem tem medo da novidade?

Comentários sobre o lançamento da família indiana Street da HDMC feito no salão de Milão se alternam entre a satisfação e a insatisfação.

A moto, para quem ainda não viu, é essa:


Os dois modelos serão fabricados, e não apenas montados, na Índia usando fornecedores locais e ainda não consegui descobrir se o projeto é indiano ou americano, mas acredito que seja totalmente concebido e fabricado na Índia.

Detalhes dessa moto lembram a globalização: peças em plástico, manetes e punhos encontrados na maioria dos modelos, assim como botoeiras e comandos. Ou seja, a moto é bastante diferente das primas fabricadas nos EUA.

Se isso serve como base para alguma desconfiança, ainda assim detalhes técnicos superam facilmente essas perfumarias: a refrigeração líquida deve trazer um motor muito eficiente (quatro válvulas por cilindro em V com angulo de 60 graus).

O Revolution-X tem sua origem nos motores Revolution que equipam a família VRSC e foi alterado para chegar ao tamanho de 750 (749 cc) e 500 (499 cc). Ainda não descobri onde foi feita essa novo projeto: se na Índia ou nos EUA.

Para quem acha que os detalhes de acabamento ofuscam essa solução inovadora para a estória da HDMC vale dar uma olhada nos primeiros projetos de customização que foram apresentados também no salão de Milão:

Uma Street buscando inspiração nas bobbers:


Uma Street buscando inspiração mais moderna:


Como se vê, os detalhes que todos reclamam podem ser ultrapassados, basta querer. Acredito mesmo que essas customizações encomendadas para o lançamento das Street deverão constar dos próximos catálogos de acessórios.

O marketing HDMC já trabalha para inserir o modelo no life style com o mote de uma moto ágil para uso urbano, buscando um público diferente do seu público tradicional já que os tradicionalistas não se cansam de criticar o modelo antes mesmo das primeiras unidades começarem a rodar.

Esteticamente, as Street não me agradam. Não gosto do estilo, as customizações são interessantes, mas não me empolgam, sem falar que a chamada de "moto urbana" não me convence. Afinal, a minha Fat Boy é bastante urbana para meu uso diário e não sinto falta de uma moto menor para usar na cidade.

Já tecnicamente, as Street me agradam bastante. A adoção da solução de refrigeração líquida usando os motores Revolution, que já estão na estrada há mais de dez anos, é minha preferida e mesmo com o pepino que passei com a injeção há pouco tempo atrás, considero que a evolução técnica deve ser um objetivo de qualquer fabricante. A HDMC já ficou tempo demais cultivando a política de "mudar tudo sem mudar nada" e precisa se reinventar, e isso acontece com as Street.

A torcida contra é grande, dizendo que a fábrica ruma para um fracasso. Lógico que isso pode acontecer, mas não acredito. Pode levar tempo, do mesmo modo que levou tempo para as VRSC acharem seu público, mas é um caminho sem volta: a refrigeração líquida, seja na versão híbrida do Rushmore Project ou seja na versão integral dos motores Revolution, veio para ficar.

Os modelos tradicionais devem continuar durante mais algum tempo com a solução híbrida, dando folego ao Twin Cam e à tradição dos motores grandes que equipam as "gordas".

A família Revolution deve continuar crescendo buscando alternativas para equipar os modelos tradicionais porque o Twin Cam não tem muito mais o que ser modificado, mostrando bem o final de carreira. Acredito que o Evolution, que equipa as Sportsters, continuará sendo o representante da tradição do motor refrigerado à ar, convivendo com o Revolution.

A HDMC busca um novo consumidor: um consumidor que possa ser conquistado pelo mito, mas que não quer mais um produto considerado ultrapassado em termos de estilo e performance. A busca por esse novo consumidor começa na Índia, fora dos EUA exatamente para mostrar que a fábrica vai romper com a tradição e criar uma nova tradição se perder o espaço que já conquistou ao longo desses 110 anos.

Se não fosse para romper com o estilo antigo, a família Street teria sido apresentada na festa dos 110 anos.

Não sei se os tradicionalistas estão com medo da novidade, a HDMC não está.

Um comentário:

Wilson Roque disse...

A Harley-Davidson Motor Company já se reinventou uma vez, para não desaparecer. A reinvenção é uma necessidade. Não sobrevivem os fortes, só os que se adaptam. E a HDMC não tem outra saída, com as exigências cada vez maiores de preservação do meio-ambiente (refrigeração líquida) e tecnologia (Projeto Rushmore). Não há volta.