domingo, 1 de julho de 2012

Identidade HD

Um dos detalhes que os novatos custam um pouco a assimilar é a questão da identidade que cada proprietário tem com sua HD.

Eu não sou tão antigo na comunidade, mas ainda assim consegui pegar uma época onde se conhecia a moto pelo ronco do escape. Até mesmo no meu prédio, onde tivemos quatro HDs, se sabia quem estava saindo e quem estava chegando.

Há algumas semanas atrás, emprestei minha moto para um amigo durante o fim de semana e ele deixou a moto dele na minha garagem, uma BMW F800GS. Postei uma foto da "infiel" na garagem e foram vários comentários questionando a "minha escolha", já que a BMW não "combina" comigo.

Essa identidade que a gente cria com a nossa moto é que faz a grande diferença entre o harleyro e o proprietário de uma motocicleta da marca Harley-Davidson. Um harleyro estará sempre pronto para auxiliar outro harleyro, mostrar como se faz ou como se consegue algo, vai saber quando outro colega já tiver chegado no ponto de encontro ou simplesmente escutar um amigo chegando. A gente se reconhece pela moto.

Hoje em dia, com a pasteurização do HD life style, é comum chegar em algum lugar e ver uma moto que não conheço ou parar ao lado de outro proprietário de HD em um sinal e o cara sequer se dignar a olhar ao lado. Você não reconhece nem o piloto e nem a moto.

Nada contra a popularização da marca, mas esta "diversidade" está acabando com uma das grandes diferenças em se ter uma HD: a união entre os proprietários. Os furtos continuam acontecendo, se encontram uma grande quantidade de peças novas em desmanches e a camaradagem que te fazia parar a fim de ajudar um companheiro de HD parado na estrada está acabando.

Espero sinceramente que esse caminho comece a ter um retorno porque a tradição morre quando não se tem interesse em aprender, e hoje em dia a tradição HD é de grandes eventos, pequenos passeios e grandes trens de motos de completos desconhecidos ao invés de conversa no botequim, grandes viagens e grupos mais homogêneos.

Acho que estou ficando velho....

7 comentários:

Wilson Roque disse...

É a realidade da nossa sociedade. Compra-se uma Harley por modismo e depois troca-se por outra marca também por modismo. Depois vende-se a motocicleta e compra-se um barco. Talvez um jet-ski ou uma Cam-Am. Não são motociclista e, muito menos, Harleyros. São modistas. Vem e vão com a brisa. Não faziam falta antes. Não farão falta depois.

Léoclima - Teresopolis disse...

Leoclima comentou :

Wolf :
Isso vai muito da pessoa: Ontem eu cheguei em Itaipava e entrei pra tomar meu café na padaria do posto BR e lá estavam dois desconhecidos (que também não se conheciam) . Um de Hayabusa e o outro de triciclo (do Abutres). Puxei conversa com o cara da Haya e o cara do Abutres, com uma cara de mal de fazer medo também foi "atropelado" pela cortesia e pelo bom humor do papo . No fim das contas eu saí e os dois ficaram conversando.
Acho eu que isso que vc comentou é sinal dos tempos. As pessoas se fecharam mais e vivem num mundo virtual que só existe na cabeça deles. Um gelo que pode ser quebrado com uma boa conversa.
Comigo não tem essa não : Até os caras da BMW já me conhecem e são meus amigos.
E o pé ??? Já tá pronto pra dançar quadrilha ???
Abços

wolfmann disse...

Roque, não farão falta, mas tumultuam.

Leo, o pé já está liberado para Rock, andar de moto, bicicleta, uma corridinha ocasional, mas nunca liberei-o para dançar quadrilha... hehehehehe

Abraços.

Kastrup disse...

O pior é que eles estão perdendo o melhor de ser um Harleyro....que é a camaradagem e a amizade que a gente faz onde quer que a gente passe...basta ver alguém numa Harley que a gente para e bate um papo e é bem recebido....

Evandro Flores disse...

Adelino, concordo contigo que a galera nova não tem absorvido bem a cultura harley, mas não vejo também um movimento da "velha guarda" de trazer esse sentimento.

Você e o Montenegro foram quem primeiro me receberam no grupo (a tres ou quatro anos atras), uma meia dúzia a mais tiveram a mesma receptividade, mas isso não é geral, alguns fazem bem a separação da galera nova, acho que essa sua sensação é parte de uma via de mão dupla, de um lado os novatos que não entram no espírito e por outro os que já estão lá que fecham o grupo.

Acho que uma iniciativa bacana seria adicionar o preço do Riders 1 ao valor da compra da moto, e fazer grupos pequenos mensais, que acumulassem os novos proprietários daquele mes. Isso não só mostraria um pouco do espírito da coisa, como ajudaria a mostrar as dinamicas do Group Rider.

Os cafés dos sábados dão uma boa medida de aproximação, há também diversos outros encontros semanais mas esses não parecem tão abertos.

// Bayer disse...

Então somos dois, Wolfmann...

Porque eu me sinto exatamente da mesma forma.

Eduardo disse...

Acredito que existem alguns grupos de motociclistas ou motoqueiros; não sou adepto a essa diferenciação que fazem. No entanto, eles se dividem em: 1) os que não podem comprar um carro e usam a moto como meio de transporte; 2) os que querem chegar mais rápido; 3) os que querem tirar "onda"; 4) os que gostam.
Lembrando que podem existir interseções entre eles, mas acho que não muitas.
Acontece que, como tudo no Brasil, muitos são movidos não pela necessidade ou paixão mas sim pelo modismo. Infelizmente, isso está se tornando marca registrada no mundo das HD. Uma pena, pois a expansão deveria ser uma coisa boa.
Nem moto tenho ainda, apesar de ter carteira. No entanto, já sei qual será minha escolha. Afinal não farei parte do grupo 1, 2 ou 3 dito acima.
Porém, percebo que quando converso sobre motos uns dizem que deveria comprar uma moto com ronco e que chame atenção (??), outros para comprar um BMW pois é uma BMW (??) e tem ainda alguns que dizem que com HD todos olharão pois é uma HD. Então, percebe-se que a escolha de muitos gira em torno da vitrine, ou melhor, da exposição que farão dos seus brinquedos.
Ter uma moto, para mim, não represente querer mostrá-la para os outros mas sim para mim.
Acho que isso que está faltando hoje em dia. Pensar em agradar a si próprio do que os outros. Pensando assim, não veremos motos sendo vendidas com 500 km ou então servindo de vitrine numa garagem. Não veremos pessoas gastando R$$$ nas lojas com acessórios secundários, não veremos certas atitudes como as citadas no artigo. Enfim, veremos o que se espera de todo "motoqueirociclista" fazer parte do grupo 4 independente da marca, modelo, ano...

Até