quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dinamômentro: quando usar?

Injeção eletrônica é um grande avanço tecnológico, mas também uma grande dor de cabeça se você não tem profissionais com a devida formação técnica a disposição para resolver os problemas que aparecem ou que você mesmo cria.

Aqui no Rio a situação continua bastante ruim, apesar da entrada no mercado do PHD Drago que investiu nesse segmento e criou condições de excelência para trabalhar as injeções eletrônicas com a Maxima Performance.

A Maxima Performance conta com pessoal formado na Dyno Jet e condições técnicas que envolvem a utilização de um dinamômetro de última geração, mas atende preferencialmente a clientes que fazem a opção pelo Power Comander.

O PHD Drago, ciente do não compromisso da oficina autorizada com esse tipo serviço, vem trabalhando para dar ter melhores condições de prestar serviços também aos colegas que fazem a opção pelo equipamento da Screaming Eagle (divisão esportiva da HD).

Injeção eletrônica não é um bicho de sete cabeças, os problemas decorrentes do uso normal são pequenos e na maior parte das vezes se resumem a maus contatos dos sensores ou sensores enviando leituras erradas, mas as injeções das HDs tem um problema de nascimento que incomoda, particularmente no verão: a mistura pobre que faz os motores dissiparem muito calor, além da deixar a performance do motor bastante amarrada.

O problema da mistura pobre é acerto da injeção para que os motores se adequem às condições de admissão de combustível e explusão de gases e possam cumprir o programa de emissão de gases poluentes, hoje em dia com limites cada vez mais restritivos.

Enquanto a admissão e expulsão pode ser melhorada com troca de filtro e escape, a mistura não pode ser enriquecida com o girar de um parafuso como era feito no carburador. É preciso modificar a quantidade de ar/combustível seja via aumento de injeção de combustível, seja via diminuição de entrada de ar.

Soluções para a mistura também existem várias, já falei sobre elas, e adotando uma dessas soluções você consegue enriquecer a mistura.

Nesse ponto começa a dor de cabeça. Resolvendo a admissão com o filtro, a expulsão com o escape esportivo e a mistura com uma nova regulagem a moto foi bem modificada em relação às condições originais.

E os resultados nem sempre são aqueles que gostaríamos ou esperavamos. Solução? Reajustar a injeção até acertar. Nesse momento entra o dinamômetro.

O ajuste do mapa das TC 96 levou um mês de tentativa e erro, muito estudo e muita conversa. O ajuste do mapa da minha Fat (motor TC 88) levou duas semanas por conta do know how apreendido com o mapa das TC 96. Com o dinamômetro leva algumas horas, segundo os especialistas (opinião emitida nos vários tópicos que tratam sobre isso no Fórum HD - www.forumhd.com.br).

O mapa das TC 96 passou por um dinamômetro em São Paulo e teve ajustes finos que melhoraram o desempenho (nas medições) em sensíveis 4% deixando as motos com uma curva de aceleração mais eficiente (principal efeito sentido). Esse mapa foi repassado aos colegas que usam o mapa desenvolvido aqui no Rio e tem gente que sente a diferença, tem gente que prefere o mapa antigo e tem gente que usa o mapa novo só porque passou no dinamômetro.

Dessa experiência com o mapa da TC 96 ficou uma dúvida: vale a pena usar o dinamômetro? O uso do dinamômetro te dá o ajuste técnico perfeito, mas custa caro. O método da tentativa e erro te dá o ajuste pessoal adequado ao teu uso (o mapa das TC 96 está sendo modificado pelo Monge porque ele não gostou da desaceleração em relação ao mapa recomendado originalmente pela HD), além de você ter a satisfação de dizer que foi você que fez.

Tecnicamente falando não há dúvida: o dinamômetro deve ser usado sempre porque os motores tem pequenas diferenças entre eles e o dinamômetro vai afinar a injeção para aquele motor.

Economicamente falando, se você não tem intenção de criar um motor com desempenho extremamente esportivo e gostaria que sua moto simplesmente resolvesse alguns problemas para ter melhor uso, é preciso avaliar o que você tem a sua disposição: se você já tem algo de eficiência comprovada a disposição não vale a pena o gasto, mas se você usou o que está a sua disposição e isso não te satisfez: só o uso do dinamômetro para chegar no seu objetivo.

A decisão, como sempre, é pessoal do mesmo jeito que a decisão de modificar a sua moto, como modificar e que acessório é mais interessante.

Sugiro uma decisão de bom senso: se você ainda não sabe exatamente os objetivos, vá usando até determiná-los.

3 comentários:

EduardoBN disse...

já ouvi dizer da aplicação de Unichip em motos, inclusive HD, conform podes verificar nesse link: http://www.dastek.com.br/unichip_resultado.asp#.

Tiago Oliveira disse...

Wolf, qual variável foi analisada para se fazer o ajuste do mapa da sua Fat? Abraços

wolfmann disse...

Tiago, parti do mapa fornecido com o SERT/SEST/SEPST e tropicalizei.

Eu não adotei o método que a maioria dos preparadores usam: ajustar a tabela de fluxo de ar, abaixando a relação estaquiométrica para chegar perto de 13,5.

Eu prefiro ajustar a eficiência volumétrica e após isso feito, ajustar a tabela de fluxo de ar para chegar na relação estaquiométrica adequada.

Ajustando a eficiência volumétrica para um fator acima de 100%, fica mais fácil compensar a presença do alcool.

Depois de compensado o alcool, ajusto a mistura para o motor funcionar de forma mais linear, subindo ou descendo o giro conforme a pressão no acelerador.