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quarta-feira, 10 de julho de 2024

Seguro Harley-Davidson: vale a pena?

Quando se fala em seguro para Harley-Davidson existe um mito sobre a necessidade em fazer esse tipo de despesa.

No UOL foi publicado hoje um artigo divulgando o top ten de motos premium roubadas/furtadas em São Paulo (veja aqui) e não aparece nenhum modelo da Harley-Davidson: são nakeds japonesas e big trails BMW e Triumph.

Esses são dados interessantes para o cálculo da sinistralidade de furto/roubo, mostrando que os modelos da marca não são os mais visados para esse tipo de ocorrência e reforçam a suspeita sobre os BOs informando roubo/furto de Harley-Davidsons estejam relacionados a fraudes ou encomendas para desmonte ou para revenda após fraudar os documentos da moto roubada/furtada.

Mesmo com essa baixa sinistralidade, qualquer tombo com uma HD gera um prejuízo grande para consertar e temos várias ocorrências de furtos de peças em HDs paradas na rua (punhos inteiros, instrumentos, bancos entre outras peças) que mostram a validade de contratar o seguro.

E fica sempre o lembrete: na hora de comprar peças de reposição ou acessórios, assegure-se da procedência. A baixa sinistralidade de roubo/furto que existe para motocicletas Harley-Davidson é fruto do cuidado que a comunidade de proprietários tem ao comprar peças, se esse cuidado começar a ser irrelevante para os proprietários essa situação muda radicalmente.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Low Rider S: long live to the queen

Há três semanas postei sobre uma promoção que a Rio HD estava fazendo para a compra da Low Rider S 117 por conta de uma oferta que tinha recebido.

Recebi algumas mensagens via e-mail e via FB querendo saber o fim da negociação.

Não teve negociação porque não me interessei em trocar de moto e a Low Rider S provavelmente será minha última HD e última moto.

Tive a oportunidade de fazer um ride test na LRS 117 em abril do ano passado (veja aqui) e não vi muita vantagem na troca de motor e já li vários relatos sobre problemas com o velocímetro, sendo o mais comum embaçar e você não conseguir ler as informações em viagem. Esse é um problema recorrente nas HDs, acontece na minha também, mas no meu velocímetro eu só não leio o painel digital.

Junte a isso o filtro de ar cônico que equipa as 117 (tanto a LRS quanto a LRST) que atrapalha o uso do comando avançado, pegar mais um carnezinho e as viagens de moto cada vez mais raras só trazem a conclusão que a LRS vai continuar comigo até decidir parar de andar de moto.

A Fat Boy ficou comigo 10 anos, a LRS completa 4 no fim do ano, a tendência das motos é ficarem cada vez mais tecnológicas e menos divertidas para os dinossauros como eu: deixa a LRS na garagem que já serve para matar a vontade de andar moto durante a semana rodando na cidade.

sábado, 8 de abril de 2023

HDMC Brasil: o que espero para 2023

A estratégia de tornar o produto HDMC em objeto de desejo sempre deu certo e para 2023 não vai mudar.

Não acredito em uma volta aos números imediatamente pós Izzo quando a montadora colocou mais de 8.000 motos no mercado, mas acredito em uma subida na meta para produzir 3.000 motos neste ano. Essa nova meta representará uma subida de 20% e será uma proeza digna de nota.

A planta de Manaus está operando abaixo de seu ideal e atingir essa meta não deve demandar novos investimentos, apenas um maior investimento no marketing de pré-venda.

Temos o evento quinquenal do aniversário neste ano, diversas novidades programadas para o line up e com a motivação correta no life style acredito que esse ano possa ser um ano de crescimento para a marca no Brasil.

Contra tudo isso temos a conjuntura econômica do país, mas o mercado de desejo consegue ser pouco afetado. 

A concorrência mostrou poucas novidades: a R18 não vende o esperado pela BMW, a Triumph não trouxe nada de novo até o momento e a Royal Enfield atua em segmento diverso da HDMC.

A busca por consumidor diverso do público mais fiel tem funcionado: a Pan America Special ja foi o modelo mais produzido e totalmente vendido em pré-venda graças a estratégia do marketing HDMC e a Sportster S deve seguir o mesmo caminho buscando o público que deixou a marca com a retirada da família V-Rod do line up.

O motor 117 vem sendo explorado de forma a garantir o desejo do upgrade (espera-se que o motor equipe a família Touring no line up 2024) e o teste vai ser feito com a nova Low Rider ST e a Breakout.

A Low Rider ST vai inaugurar um estilo novo buscando o cliente que deseja um motor forte para fazer pequenas viagens de fim de semana, colocando os alforges e a carenagem maior, e deve gerar um interesse maior que a Low Rider S com seu estilo club bike.

Juntando tudo isso: efeito novidade, marketing do life style e modelos buscando clientes fora da base tradicional, devemos ter um bom ano para a HDMC, se a marca não forçar a mão no preço de revenda.

Enquanto isso o mercado de usadas segue bem ativo, com os revendedores HDMC mantendo um bom estoque e rivalizando com os vendedores de HD usadas já tradicionais no mercado.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Harley a mais de R$100.000: quem vai comprar?

Com a nova tabela, mesmo que ainda não esteja sendo praticada pelos dealers, o que mais é lido nos grupos e fóruns de proprietários é que a HDMC Brasil não sabe o que faz, que os preços estão "abusivos" e que o próximo passo da marca no Brasil vai ser "entrar no avião e voltar para os EUA".

Antes de qualquer opinião sobre a estratégia da marca, seja nos EUA ou no mercado internacional, vale a pena lembrar o básico da economia de consumo: ou você vende muito com uma margem de revenda pequena que se traduz em preço menor, ou você vende menos (não é vender pouco, mas vender menos quantidade) com uma margem de revenda maior que se traduz em preço maior.

A HDMC teve uma estratégia de buscar novos consumidores, oferecendo novos produtos e tentando universalizar sua marca através do aumento de vendas. Essa estratégia não funcionou, a marca apresentou prejuízos em seu balança trimestral e causou a queda do CEO responsável por essa estratégia.

Como qualquer empresa, a HDMC visa o lucro para seus acionistas e mudou o CEO que apresentou uma estratégia bem diferente: apostar nos produtos tradicionais, agregar valor ao produto pela tradição da marca e aumentar a margem de revenda.

Essa estratégia vem sendo aplicada ao longo da pandemia (que ofereceu uma oportunidade de causar escassez sem que a marca fosse taxada de aproveitadora pois as fábricas precisaram fechar por conta da pandemia) no mundo inteiro.

Como parte dessa estratégia de agregar valor é preciso causar escassez do produto para incentivar a demanda, mostrando que a marca oferece uma exclusividade que se traduz no preço mais alto.

A escassez do produto aumenta a demanda e com a demanda em alta se justifica o preço mais alto.

Se comparar os preços em dólar e fizer a conversão direta (sem pensar em impostos de importação e circulação de mercadoria) os preços brasileiros não são muito diferentes dos preços norte-americanos e por isso estão dentro da realidade da marca para o mercado internacional.

E nisso entramos na segunda parte do problema: os valores de tabela não são preços diferentes do preço internacional, mas como muita gente não consegue comprar,  a marca ganha o adjetivo de "louca". 

Na realidade o problema não é apenas o preço internacional praticado no Brasil, mas sim a queda no poder aquisitivo do consumidor brasileiro.

Ou seja, não é a HDMC que cobra muito, somos nós que ganhamos pouco.

A HDMC Brasil não parece que vai sair do radar da HDMC USA: mesmo com o volume de vendas no varejo caindo, não vi reclamações dos dealers que apostaram na nova estratégia da HDMC (lembrando que a HDMC deu opção ao dealers de continuarem na rede), ou seja, estão dentro do esperado e, depois de dois anos encolhendo, a HDMC traz novos modelos mostrando que existe interesse no mercado brasileiro, mesmo que tenha encolhido.

Não imagino qual serão as metas para 2022, mas eu acho que a marca vai explorar novos mercados com a Pan America no segundo semestre e movimentou bem o mercado no primeiro semestre com o anúncio do M8 117 na Low Rider S e a volta da CVO.

Resumindo: HD zero vai ficar difícil de ser comprada, mas ainda vai ter muita gente que vai tirar o escorpião do bolso para comprar. Resta saber se teremos interessados suficientes para cumprir as metas da marca para o Brasil. Eu aposto que sim.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

respeite para ser respeitado

 Desde a publicação da postagem anterior venho recebendo vários comentários querendo saber motivo do problema ocorrido no evento onde ocorreu o incidente veiculado pelo vídeo.

Do mesmo modo venho recebendo relatos de outros problemas ocorridos em eventos organizados por MCs e pedindo para divulgar.

A regra de ouro "respeite para ser respeitado" vale para tudo na vida.

O blog foi criado com a intenção de divulgar informações que possam servir para tirar dúvidas que aparecem todos os dias de proprietários de HDs e no "mundo harley". 

Não foi criado para investigar o que acontece ou deixa de acontecer entre moto clubes, integrantes de moto clubes e/ou incidentes diversos que acontecem diariamente.

Quando acontece algum problema cabe aos envolvidos resolver ou divulgar e o blog nunca foi veículo de divulgação de versões ou interpretações sobre incidentes.

Respeitar as tradições, as cores e o escudo de MC começa no entendimento que os assuntos de MC são restritos aos integrantes do MC e será sempre um assunto interno, salvo entendimento contrário do MC.

Aos leitores que mandaram os comentários que não foram respondidos no blog (tentei responder a todos que deixaram forma de responder privadamente), peço que entendam a responsabilidade de tudo que é veiculado no blog é minha e portanto reservo a mim o direito de publicar ou não.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

quando o foco da pilotagem muda do piloto para a moto

Pelos números de emplacamentos publicados pela FENABRAVE pode-se notar que perfil de consumo de moto turismo está mudando: temos quase a metade dos emplacamentos feitos em Big Trails (GS1250, Tiger e GS850) e cerca de 10% de estradeiras custom (o catálogo Harley-Davidson).

O consumidor de motos premium parece mostrar que não tem mais a disposição para manejar uma moto grande, pesada e sem auxílios eletrônicos que tornem a pilotagem mais amigável.

A pilotagem deixou de ser um desafio para ser um instrumento no deslocamento de grandes distâncias. O "novo piloto" quer o prazer de chegar e ostentar sua moto sem grandes sustos ou desafios.

A Harley-Davidson PanAmerica não é apenas um projeto em busca de diversificação do catálogo, é uma efetiva busca pelo consumidor que não tem interesse nos projetos clássicos que sustentaram a marca e quer uma moto mais fácil de pilotar que ostente um nome tradicional.

O "território" das Tourings e Cruisers está encolhendo e as Big Trails estão deixando o off road para a estrada, tal e qual os SUVs vem fazendo no setor automobilístico.

Hoje em dia os iron butt estão sendo cada vez mais feitos em motos que diminuem o desafio de usar a habilidade para enfrentar grandes distâncias e aventuras como a do Rodrigo Azevedo (canal do YouTube Eu e minha Moto) em fazer a Estrada Real com uma Road King não servem mais como um "exemplo de superação".

Acho que todos os segmentos em duas rodas são divertidos, já passei por todos: do off road às estradeiras custom, passando pelas superbike naked, e cada vez que faço um ride test em uma Big Trail vejo como a pilotagem deixou de ser divertida para ser algo burocrático.

O blog segue aberto para os "dinossauros" até que sacramentem a nossa extinção com motos onde o maior desafio será não jogá-las no chão porque essas motos não caem, o piloto é que as derruba.

quarta-feira, 10 de março de 2021

o que é melhor: comprar a HD "pronta" ou "customizar"?

Na penúltima postagem (veja aqui) eu conclui uma análise sobre possíveis modificações que podem ser feitas na LRS para deixá-la mais "confortável" para viajar.

Recebi alguns e-mails pedindo para comentar sobre a conclusão da postagem onde escrevi que existem melhores opções para curtir a estrada com a companheira. A garupa sofre com a LRS? As adaptações não funcionariam?

Cada um sabe onde aperta o sapato, mas eu entendo que a LRS é uma moto com um projeto muito específico e "customizar" para andar garupado é uma opção cara que pode ser usado na compra de um modelo mais fácil de "customizar" para dar conforto ao garupa em viagens, além de descaracterizar o projeto que faz o consumidor escolher o modelo.

Se decidir pela "customização" da LRS para andar garupado o modelo vai atender perfeitamente às necessidades da garupa, a viagem vai ser feita com (relativo) conforto e vai dar para carregar a bagagem (lembrando sempre das capacidades de carga que alforges e sissy bar oferecem).

Eu sugiro que antes de comprar a sua HD "dos sonhos" pense bem no que pretende fazer com a moto. Andar rotineiramente na cidade com uma Touring não é impossível (eu usei Tourings no Rio de Janeiro por 4 anos), mas tem coisa melhor (fazendo menção à minha conclusão que deu origem aos e-mails).

É claro que a escolha de uma moto é uma decisão muito mais emocional do que uma racional, a melhor prova disso foi ter trocado a Fat em uma CVO quando a Fat atendia as minhas necessidades com eficiência e mesmo assim parti para a compra porque era uma modelo que me chamava a atenção desde que foi lançado.

Apenas para reforçar que a escolha é emocional, fiz um cálculo da média gasta com a RKS para manter e usar a moto chegando a mais de R$ 1.000,00 por mês.

Lógico que não chegaria a esses valores se não tivesse trocado a moto em 2016 pois esses valores teriam sido diluídos pelo tempo e pela rodagem da Fat, mas foi uma escolha emocional.

Comprar "pronta" ou "customizar" é equivalente a comprar nova ou usada, portanto vale o mesmo que venho escrevendo faz tempo: analise o que precisa e o que planeja fazer com a moto. Depois olhe as opções de mercado para fazer uma escolha que não venha a se arrepender.

Com a LRS foi assim: eu queria voltar a usar HD, vendi a RKS para resolver um problema que apareceu e mesmo querendo comprar outra RKS, acabei na LRS. Foi o que deu para fazer e estou bastante satisfeito com a "solução provisória", tanto que deve ser uma "solução permanente" até que apareça algo mais interessante novamente.

Para não deixar a pergunta do título sem resposta, eu "customizo" se for o modelo que eu estou procurando porque se ainda estou na fase de escolher o modelo vou procurar comprar a moto "pronta".

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

impacto da tabela out/2020 da HDMC

O impacto mais esperado desse reajuste vai ser uma retração nas vendas. 

Já li em vários grupos de proprietários que estão felizes por já terem trocado a moto, outros que estão bem infelizes pela rasteira que levaram e outros que já estão conformados em manter as máquinas atuais por mais tempo.

Por mais que possamos justificar o reajuste em face da variação cambial, que continua reduzindo o poder de compra do consumidor médio brasileiro, esse reajuste chega em má hora: o mês de Agosto só tem números de venda no atacado melhores que o mês de Abril (mês em que a economia brasileira parou por conta do isolamento social mais rígido).

Não li nenhuma análise na imprensa especializada, a "irmandade dos blogs" também não se manifestou ainda, mas a minha visão é que a HDMC Brasil vai rezar pela cartilha do Jochen Zeitz e levar a marca para um patamar de exclusividade ainda maior do que o patamar de produtos premium que sempre disputou a liderança com a BMW visando uma lucratividade na margem de revenda e não mais na escala de vendas.

Lembrando sempre que a HDMC Brasil já se manifestou pela retirada da família Sportster do line up 2021 e isso vai deixar como "modelo de entrada" a Softail Fat Bob com motor 107 custando mais de oitenta mil reais.

Quando postei sobre a nova estratégia da HDMC, o plano Rewire, já comentei sobre a saída de "modelos repetidos" (mesmo modelo com duas motorizações) e isso dificulta ainda mais a compra da primeira HD zero, pois se isso acontecer o "modelo de entrada" passa a ser a Deluxe acima dos noventa mil reais.

Ora, uma marca que tem seu modelo mais barato acima de noventa mil reais, que muitas vezes nem ocupa o top ten de vendas da marca, não pode estar pensando em aumentar as vendas, mas sim buscando um público muito exclusivo tentando caracterizar a marca como produto de status e não mais como um produto premium.

Realmente não consigo prever até onde a marca vai conseguir vender o life style como produto exclusivo e nem como os dealers vão conseguir manter a lucratividade em mercados de menor poder aquisitivo.

E isso tudo sem investir em melhora no controle de qualidade de seu produto, principal queixa dos consumidores da marca.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

COVID 19 e os efeitos econômicos: HDMC fica ou sai do Brasil?

Deixei minha visão sobre a estratégia da HDMC para o nosso mercado: acho que fica e elitiza ainda mais o produto para manter a lucratividade na margem de revenda ao invés de apostar na escala de produção e manter a lucratividade no volume de vendas.

É a estratégia usual e a matriz dá mostras que aposta nesse modelo para sair da crise que a COVID 19 deixa no mundo.

Mas parece que os proprietários tem visão diferente e apostam na saída da HDMC do Brasil. Tenho visto e lido mais e mais opiniões nesse sentido, muitos relembrando a saída da Indian por força de estratégia da Polaris.

Os efeitos desse “pânico” já foram vistos na saída da Indian: promoções, desvalorização do mercado de usadas, mas os proprietários que estão com as motos continuam satisfeitos e com suas motos rodando.

Não vejo a HDMC saindo do Brasil e Dan Morel vota comigo. Publicou dias atrás um post com o histórico de outras crises vividas pela HDMC para sustentar sua posição e vale a leitura. Aos interessados, acessem o Link.

domingo, 2 de agosto de 2020

minha visão do cenário atual do "mundo HD"

Fiz as postagens anteriores para formar o cenário atual e opinar sobre o "salseiro" de comentários e conversas que li e participei.

Prejuízo global da HDMC, troca do CEO, aumento de preços, fim da Sportster... será o fim da HDMC? Será o fim da HDMC no Brasil?

Dan Morel em seu blog e nas postagens no site Minuto Motor vê a situação da mesma forma que eu: é uma crise global, a empresa faz mudanças no seu planejamento estratégico para superar as dificuldades e busca sobreviver no cenário de incerteza.

Para o consumidor de life style a situação atual é depressiva porque o life style é produto supérfluo e sofre mais com a crise.

Para o consumidor dos modelos da marca a situação muda muito pouco porque o universo de motos rodando no mundo garante um mercado after market capaz de mantê-las rodando sem maiores problemas, desde que se arque com o custo da defasagem cambial.

Para o novo consumidor que buscava os produtos diferenciados que a marca prometia (Big Trail, naked bike, moto elétrica) o panorama é o pior possível porque o novo programa Rewire encerra com essas alternativas e valoriza o que a fábrica faz tradicionalmente, riscando as inovações prometidas (pelo menos no primeiro momento).

Para o consumidor brasileiro o cenário é cinza. Não só pelas incertezas, mas também pela novo planejamento estratégico. Não acredito que a HDMC saia do Brasil, mas acredito que vai trabalhar com uma estrutura reduzida visando elitizar ainda mais o produto para manter a lucratividade na margem de revenda ao invés de manter a lucratividade na escala de produção.

A fábrica de Manaus é um trunfo para manter a estrutura, mas a decisão de cortar as Sportsters do catálogo mostra que não devemos esperar motos abaixo de R$ 50.000,00 (a Sportster já custa isso).

Também acredito que a rede de dealers vai diminuir como parte da redução da estrutura, não só porque os contratos previam vendas em maior volume, mas também porque os custos para o dealer devem crescer com a elitização do produto.

Este mês acontece o dealers convention, que deve ser virtual. Se não for cancelado ou adiado devemos ter algumas novidades sobre os modelos que serão cortados do catálogo global conforme a promessa de Zeitz ao assumir o cargo de CEO.

Apenas para deixar registrado, o corte de 30% dos modelos envolvem 10 a 11 modelos (são 34 no catálogo global), vou fazer minha aposta no que vai sumir para 2021:30% seria equivalente a 10 modelos (a linha americana total tem 34 modelos).

Já anunciaram 3 fora do catálogo 2021:
-Deluxe
-Breakout
-FXDR

A imprensa especializada coloca na lista os modelos “repetidos” (com motorização 107 e 114), cortando os 107
-Street Glide 
-Road Glide

Temos a mesma moto com nomes diferentes: Street Bob (cromada) e Softail Std (dark): aposto na Street Bob porque a Softail STD é lançamento.

Para completar os 10 modelos podem parar de vez com as Sportsters: Iron 883 e 1200, Roadster e 48.

E tirar a família Sportster do catálogo pode ser provisório porque já apareceu uma patente de um novo motor com comando variável de válvulas, que pode ser o sucessor do motor Evolution dando origem a uma nova família Sportster.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

sem novidades no front

Peguei o blog para ver os comentários pendentes e verifiquei que a última postagem já tem mais de um mês.

É bem verdade que tenho tido pouco tempo para viajar de moto e que a CVO tem se comportado muito bem desde a troca da bateria, mas não lembro de passar tanto tempo sem notícias significativas sobre a comunidade custom.

Aconteceram alguns eventos (o próximo acontece neste fim de semana em Sorocaba), muita gente comentou sobre a decisão (discutível) da HDMC em modernizar de uma só vez todo o segmento Softail e agregar/encerrar o segmento Dyna para formar uma nova família Softail e quem pode conhecer as novidades ao vivo em viagem aos EUA gostou do resultado final.

Houve também a polêmica foto do HOG RJ que terminou com a saída de um RC do HOG RJ e que gerou muitos comentários. Muitos colegas chegaram a cobrar a minha posição sobre a foto, mas como já estou afastado do chapter há algum tempo não me sinto a vontade para comentar sobre um fato sem conhecer o contexto da foto. De toda a forma foi uma polêmica interessante de acompanhar, mas já virou "embrulho de peixe na feira".

Parece que teremos mesmo de aguardar o Salão Duas Rodas para voltar a ter assunto.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

assuntos recorrentes: primeira moto, primeira HD, upgrade de moto, upgrade de HD, escolhendo a sua HD

Assunto recorrente em qualquer fórum de proprietários e que sempre me consultam é como começar no "mundo Harley".

Antes de mais nada vale sempre a pena lembrar uma postagem do Bayer de 2011, onde ele desmistifica vários (pré)conceitos existentes: então antes de mais nada leiam aqui.

Com essa postagem na cabeça vamos separar os três tipos de iniciantes no "mundo Harley": temos o sujeito sonhador que nunca andou de moto e sempre teve o sonho de ter a sua HD para "viver a liberdade"; temos o sujeito que já construiu uma vida confortável e quer se dar ao "luxo de ter uma HD" para completar o portfólio; e temos o sujeito experiente em duas rodas e que decidiu "finalmente dar uma chance para a HD" porque não quer abrir mão de andar de moto apesar da violência urbana.

Esses três tipos têm em comum a total falta de experiência com as HDs e vem com todo um repertório de ideias que dificilmente se concretizam quando apertam o starter da sua HD.

Quem é leitor do blog sabe que sou adepto em adquirir experiência com máquinas menores (podem recordar lendo aqui), mas normalmente o "sonhador" e o "realizado" não tem paciência para adquirir a experiência gastando tempo em motos menores e buscam logo realizar o sonho ou completar o portfólio, normalmente comprando uma HD zero que eles considerem "ideal".

Já o "experiente" tende a se considerar apto para pilotar qualquer motocicleta, independente das diferenças que existem entre elas.

E mesmo assim sempre aparece aquela pergunta: "qual a HD que devo comprar?"

Eu só posso responder pela minha experiência e pela minhas necessidades de ergonomia: posso dizer que dei muita sorte em ter começado pela Fat. Depois de experimentar várias motos, de todas as famílias HD (até na Night Rod eu andei em um test drive no Rio Harley Days), eu posso dizer que as softails são a minha primeira escolha para entrar no mundo HD. As softails tem uma ciclística neutra, um motor balanceado e suspensões que absorvem bem as irregularidades, poderiam ter freios duplos na dianteira, mas ninguém é perfeito. 

A minha preferida no catálogo 2017 é a De Luxe, pela ótima ergonomia; em seguida pensaria em uma Fat Special, também pela ergonomia; A Heritage nunca me agradou pelos acabamentos nos bancos, mas é a melhor escolha para quem pretende andar garupado e não compraria a Breakout pelas diversas adaptações necessárias para melhorar a ergonomia, apesar de ser fã da linha FX.

Pensando em trocar de moto, vindo de uma softail, começa a dúvida: eu acabei em uma touring, mas levei algum tempo para me ajustar à diferença de peso e a inércia decorrente desse aumento de peso. Uma vez adaptado, não penso em voltar para as softails por mais que a experiência com a Fat tenha sido muito boa.

As tourings são muito divertidas quando estão rodando, mas o peso cobra na hora de manobrar sem motor, assim como nas manobras urbanas (corredores). Depois que a gente se adapta acha tudo normal e vê que o mundo é muito melhor em uma touring que numa softail, mas essa não é uma moto para iniciante.

Escolher uma Sportster ou uma Dyna vindo de uma softail é uma questão de objetivo: se você pretende uma moto mais leve, pense na Sportster, se acostumou e gosta do peso das softails, pense em uma Dyna. A minha tendência é escolher uma Sportster 48 seja pelo estilo, seja pelo motor 1200. Não penso nas Dynas enquanto mantiverem o TC96: não vale a pena comprar uma moto nova que já está completamente defasada em relação ao resto do mundo, mas se o TC103 já estivesse nelas minha escolha é pelo "mico" Low Rider: sou fã do estilo e a ergonomia é ótima para o meu tamanho.

Tanto Sportster quanto as Dynas tem ótima performance nos circuitos urbanos (leia-se "corredores") e acompanham normalmente o ritmo das softails (se não andarem na frente) na estrada. Os problemas das duas famílias são conhecidos: a Sportster evoluiu no quesito freio e suspensão, mas continua sendo uma moto para andar sem garupa e a Dyna continua seu rebolado, merecendo adaptações para dar mais conforto para a garupa. Dá para começar a vida em uma das duas, mas vai passar por alguns sustos que não passaria se estivesse de softail.

As VRSC nunca foram minha escolha, vira e mexe sequer comento sobre elas, mas é uma moto para quem gosta de arrancar forte. Gosto mais da Night Rod que da Muscle, inclusive pela melhor ergonomia.

Enfim, seria um "downgrade" sair da minha Fat para uma 48? Foi um "upgrade" sair da minha Fat para a CVO?

Nenhum nem outro... apenas troquei de HD porque a oportunidade apareceu e a CVO me agradou desde seu lançamento em 2015: vestiu bem no "ass test" e confirmou as expectativas depois que me adaptei ao seu peso (ainda falta resolver o assunto "morcego"). Foi uma boa troca.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Harley or Indian, that's the question

Com o esforço do dealer carioca da Indian em demonstrar os modelos da marca da Polaris (visitaram e/ou visitam praticamente todos os pontos de encontro de harleyros no Rio), o assunto desse fim de semana em duas confraternizações que participei nesse fim de semana foi exatamente esse: Indian ou Harley?

Analisando os modelos que competem entre si (Chief Classic e Fat Boy; Chief Vintage e Road King; Chieftain e Street Glide; Road Master e Limited) vemos que as HDs tem preço mais competitivo, mas um produto mais defasado tecnologicamente, embora com mais estilo.

Em termos financeiros, a Indian não consegue ter melhor preço nem mesmo nos EUA, quanto mais no Brasil onde enfrentam o problema de baixa escala de produção. A Harley-Davidson consegue colocar seu produto com preços melhores por produzir de cinco a dez vezes mais que a Indian, além de contar com uma rede de concessionários bem maior que a Indian.

Em termos de tecnologia, o Thunder Stroke 111 é um motor totalmente novo, que entrega muito torque, bastante potência sem causar tanto incomodo ao piloto com a dissipação de calor como o Twin Cam da Harley. Some-se a isso o tamanho do motor: 103 ci do Twin Cam comercializado pela HD e 111 ci do Thunder Stroke comercializado pela Indian e teremos um pacote que impressiona qualquer harleyro.

Além da motorização, as suspensões adotadas pelas Chief (mono braço com balança) e pelas Chieftain e Road Master (monobraço ajustado pneumaticamente com balança) são bem mais confortáveis que as suspensões que já conhecemos das famílias Softail e Touring da HD, sendo outro ponto muito comentado por quem faz o ride test.

Até agora, para quem não tem problemas com o bolso, a Indian vem sendo a escolha natural, mas quando o universo de consumidores aumenta, a HD começa a mostrar a fidelidade de seus proprietários. O estilo retrô da Indian não agrada a todos e muitos sequer cogitam largar suas HDs pelas novas Indian por questões meramente emocionais. 

Nesse momento é que se dividem os potenciais compradores das duas marcas: no emocional.

Eu cheguei a ter "pensamentos impuros" com uma Chieftain, mas quanto mais rodo com a CVO, menos falta sinto das suspensões macias e do motor de baixa temperatura da Chieftain. É uma questão de identidade pessoal com a moto, que impressiona sempre que a vejo: seja pela pintura, seja pelo estilo bagger mais acentuado que a Chieftain ou seja pelo morcego da HD bem mais clean que o morcego da Chieftain cheio de plásticos cromados, mas bem que a HD podia seguir o exemplo da Indian e colocar as informações de consumo e velocidade no painel das Tourings.

Já a Indian podia aprender um pouco de estilo com o infotainment da HD...

Para terminar o assunto um detalhe que muita gente está preocupada: como será o pós-venda da Indian? Será tão competitivo quanto vem sendo o pré-venda feito pelo dealer carioca?

Não posso falar pelos demais dealers da Indian por falta de contato com os mesmos, mas o dealer carioca parece que não vai deixar o nível cair. Mesmo com uma oficina pequena, eles estão aptos a atender os proprietários atuais, principalmente porque o volume de motos ainda é pequeno (e não deverá atingir o limite da oficina antes de dois anos, quando acabam as primeiras garantias). O melhor exemplo foi a rápida solução para um problema ocorrido logo no início das operações do dealer carioca, que preferiu uma solução conciliadora ao invés de discutir o caso na justiça.

Ter vontade de acertar é o melhor caminho para um bom pós-venda.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

maio amarelo não impede mais vítimas na "guerra do trânsito"

Para que não sabe, e são muitos porque a divulgação da campanha foi pífia, estamos em meio a uma campanha para educação no trânsito visando diminuir o número de vítimas causadas pela má educação no trânsito.

Infelizmente para o Road Captain Antonio Eduardo do Chapter Brasília essa campanha não conseguiu resultado efetivo.

Antonio Eduardo morreu após uma colisão traseira causada por uma motorista dirigindo um IX 35. A via onde aconteceu o acidente tinha velocidade máxima de 50 km/h e era cheia de quebra-molas, razão pela qual Antonio Eduardo havia diminuído a marcha e acabou sendo atropelado (não há melhor descrição) e morto.

Detalhe, em imagens veiculadas pela sucursal da Rede Globo em Brasília, viu-se a motorista dando ré e atropelando o corpo estendido de Antonio Eduardo após o atropelamento.

O amigo Ubiratã Muniz Silva, que nem sequer é ativo no HOG Brasília, iniciou uma campanha para que não se esqueça o que aconteceu e a motorista tenha a justa punição. Em carta aberta divulgada na time line dele no Facebook, que vou transcrever agora, ele fala sobre o assunto"


Ubiratã Muniz Silva
23 de maio às 14:10 · Brasília, DF · 
CARTA ABERTA À COMUNIDADE MOTOCICLÍSTICA DE BRASÍLIA E ÀS AUTORIDADES DE FISCALIZAÇÃO DE TRÂNSITO DO DISTRITO FEDERAL
Ontem à tarde faleceu um dos nossos, o Antônio Eduardo, "Road Captain" do chapter do HOG - Harley Owners Group de Brasília.
Não o conhecia pessoalmente, nunca cheguei a conversar com ele, o conhecia apenas "de vista", já que nunca participei muito ativamente dos eventos do HOG Brasília (mais por falta de tempo do que de vontade). Mas já sei por amigos em comum o quanto que nosso "Road Captain" era querido por todos, além de ser, é claro, referência e exemplo em pilotagem segura e consciente.
Deixo aqui meus sentimentos de indignação pelo ocorrido. Infelizmente, TODO SANTO DIA eu presencio em nossa cidade algum motorista cambaleando pela pista mexendo no celular. Até segurando tablet de 10" junto ao volante e teclando (ziguezagueando a 25 por hora em via de 70) já vi.
O fato é que foi aprovada, há poucos dias, a revisão do Código de Trânsito Brasileiro, que aumenta (dentre outras medidas) as penas pecuniárias (multas) para quem dirige mexendo ao celular. Em que pesem as boas intenções dos legisladores em mudar a categoria desse tipo de infração, na minha opinião, não passa de mera letra morta, e explicarei a vocês o porquê:
Há quanto tempo não sabemos de alguém ser multado por conduzir mexendo no celular? Quando foi o último caso de multa por conduzir usando o celular que você viu?
O fato é que nossos órgãos de fiscalização de trânsito, infelizmente, só querem fiscalizar aquilo que não dá trabalho ou não dá despesa para eles.
A fiscalização de trânsito no Brasil infelizmente se resume basicamente ao controle de seis infrações específicas: velocidade e avanço de sinal, além de, agora, também, o tráfego em faixas exclusivas de ônibus (controle de todas elas feito de forma automática pelos radares fixos e móveis, sem qualquer intervenção humana - até a leitura da placa é feita via computador, por OCR), alcoolemia e documentação atrasada (averiguáveis em blitze feitas em local estático, sem necessidade de patrulhamento ostensivo) e muito de vez em quando (só me resta supor que ou quando há metas de arrecadação a cumprir ou quando os agentes estão se sentindo entediados) por estacionamento irregular.
Pergunto novamente: Com exceção de blitzes armadas em locais fixos e estáticos, quando foi a última vez que você foi parado na rua por um policial ou agente de trânsito por uma infração? Quando foi a última vez que você viu agentes de trânsito mandando veículos encostar, seja um motorista falando ao celular, seja um carro com luz queimada ou até mesmo sem as menores condições de rodar, seja um veículo em alta velocidade trafegando pelo acostamento para fugir do engarrafamento?
QUALQUER endurecimento na lei para quem dirige usando o celular será inócuo se não houver fiscalização ostensiva de trânsito, com patrulhamento e agentes parando motoristas irregulares a qualquer local e momento. Quem se lembra dos tempos em que se você estivesse fazendo besteira, uma viatura policial simplesmente mandava você encostar e você levava, além da multa, uma bela bronca do policial de trânsito? Essa era uma ação que tinha resultados muito mais "educativos" do que simplesmente receber um boleto bancário 30 dias depois da infração.
Mais do que pedir o endurecimento das leis, temos que pedir é que as leis atuais sejam de fato cumpridas, o que não ocorre. Os órgãos de fiscalização de trânsito precisam sair de trás das funções burocráticas e voltar a fazer patrulhamento ostensivo, como era antigamente. Patrulhamento em duplas de moto seria ideal, pois mantém-se o "elemento surpresa". Seria o uso mais correto para aquelas motos BMW caríssimas compradas com o nosso suado dinheiro de impostos.
Peço desculpas pelo texto longo, é que estou realmente indignado com essa situação. Mais ainda com a alegação da motorista (de acordo com a matéria do Bom Dia DF) que as "motos frearam de repente" (ora, então ela nunca ouviu falar em MANTER DISTÂNCIA não?). É óbvio que ela estava sem atenção à via.
Maior ainda é meu medo que este caso seja mais um crime de trânsito que termine impune, já que a referida motorista tem parentesco próximo com autoridades do Poder Judiciário (magistrados).
Agora entendamos todos que a legislação de crimes de trânsito no Brasil é, infelizmente, muito branda,e por mais injusto que isso possa parecer, se a motorista for eventualmente for condenada a pagar cestas básicas, já é uma vitória (provavelmente, se houver condenação, não vai além disso). Sabemos que qualquer mudança na legislação visando endurecer as penas para esse tipo de crime de trânsito só se aplicará a novos casos, já que nossa Carta Magna é clara: lei penal só retroage em benefício ao réu. A nós cidadãos, infelizmente só resta trabalhar com o que a lei nos oferece hoje. E, claro, com a opinião pública.
Nada vai trazer o Antônio de volta. Nada. Uma vida foi perdida por um motivo fútil, e nada a trará de volta.
A vontade de fazer justiça com as próprias mãos, principalmente no meio motociclístico, é grande, eu sei. Mas não resolve nem traz nosso colega de volta. O que temos que fazer é agir, como cidadãos conscientes que somos, para que a morte dele não seja em vão. Temos que exigir providências das autoridades para que outras mortes sem sentido como essa deixem de ocorrer. TEM que existir policiamento ostensivo de trânsito nas cidades e estradas. Não bastam apenas câmeras espetadas em postes, nem são suficientes as blitzes estáticas em saídas de bares e baladas. Tem que ter viatura e moto circulando,sim, mandando parar quem tá fazendo besteira ao volante ou ao guidão (sim, tem muito motociclista irresponsável por aí também). Tem que ter viatura circulando nas cidades e estradas. Tem que ter polícia rodoviária com radar escondido pegando (E MANDANDO PARAR) quem aposta corrida (de carro e moto) na BR-060. Tem que ter agente na rua, mandando infrator parar, dando, além da multa, aquela enquadrada básica que é muito mais educativa que um boleto bancário com desconto quando pago antes do vencimento.
Mesmo que não consigamos mudar a cabeça das pessoas ou convencer as autoridades a fiscalizar com menos preguiça (em vez de só fiscalizar o que não dá trabalho), só o fato de, como comunidade, termos tentado mudar alguma coisa, é a melhor homenagem que podemos fazer ao Antônio e sua família, seja a família de sangue, seja a família motociclística.
Poderia ter sido qualquer um de nós. Poderia até nem ter sido um biker. Poderia ser um ciclista, um ocupante de um carro de menor porte, um pedestre, um adulto ou uma criança, ou uma família inteira atravessando a rua. O fato é simples: não podemos, repito, NÃO PODEMOS deixar essa morte sem sentido cair no esquecimento.
Brasília, 22 de maio de 2016
Ubiratã Muniz da Silva (Bira)
Motociclista independente
Filiado ao HOG-Harley Owners Group desde Outubro/2013

Na minha família, e no blog, tem um relato que acidente causado por imprudência de um motorista de caminhão: a Silvana, minha esposa e companheira de muitos quilometros fosse na garupa ou com a moto dela, não morreu. Teve sequelas mínimas em relação ao trauma que sofreu, mas o pior trauma foi desistir da motocicleta por medo que acontecesse novamente.

Para a esposa do Antonio Eduardo (ela também foi atropelada, mas escapou com escoriações) vai sobrar além do trauma do acidente, a saudade do marido morto.

Muitos motociclistas/motoqueiros morrem no trânsito, uma parte por imprudência deles próprios, mas outra grande parte por imprudência de terceiros que assumem o risco (em linguagem jurídica agem com preter-dolo) de cometer uma infração que pode acarretar uma morte ou invalidez apenas pelo prazer.

A fiscalização deve ser aumentada, como disse o Bira; as multas devem ser mais onerosas e o crime de trânsito (que acaba na grande maioria das vezes em cestas básicas) deve ser julgado conforme o resultado e não pela forma como foi cometido. Explicando melhor: apenas por ser um crime tipificado pelo Código de Trânsito Brasileiro, o homicídio não é tratado como tal, mas sim como um resultado não desejado ao cometer infração prevista no CTB. 

Isso tem de mudar: lesão corporal seguida de morte, homicídio causado por preter-dolo devem ser julgados sem o benefício da pena diminuída por acontecer no trânsito. São resultados já previstos no Código Penal e devem ser julgados como tal.

Pelo fim do capítulo dos crimes em espécie no CTB e pelo julgamento conforme o CP. É o mínimo que se espera de uma sociedade justa. 

quarta-feira, 23 de março de 2016

custo de uma HD

Na minha última atualização sobre o custo da minha Fat, houve novamente um comentário perguntando sobre como fazer o cálculo.

Antes de mais nada é bom deixar claro que esse cálculo é mera "enrabação de mosquito". O único objetivo é acompanhar a vida da minha Fat Boy e mostrar que a manutenção de uma HD não é o maior problema para o bolso do proprietário.

Para fazer um cálculo realmente confiável seria preciso apropriar o valor gasto na compra, como esse valor poderia ser aplicado (custo de oportunidade), a depreciação da motocicleta, a vida útil esperada, além dos custos com seguros, impostos, combustível, estadias em garagens durante viagens e pedágios.

Só para dar uma ideia de como isso se torna complexo ao avaliar todos os parâmetros, os melhores sites de contabilidade estipulam como vida útil para um veículo cinco anos, com depreciação de 20% ao ano até chegar a zero, sem considerar o valor que poderia ser recebido na venda ao final dos cinco anos de uso.

Do mesmo modo, o custo de oportunidade aplicando o valor gasto no mercado financeiro pode render algo entre 10 e 15% (as vezes mais se fizer aplicações consideradas de risco alto) e em uma conta simplista, não comprando a moto e aplicando o dinheiro, você teria o valor de duas motos ao fim de seis anos (a Fat completa dez este ano).

Só com esses dois ítens você chega a conclusão que não vale a pena "investir" em um veículo: pela contabilidade sua moto valeria zero ao final de cinco anos e com seis anos compraria duas motos.

Se você olhar o mercado de usadas, vai ver que ao final de cinco anos a sua moto ainda vale alguma coisa, mas o dinheiro que você não aplicou faz falta para renovar a moto.

Como meu objetivo é contar a vida da moto, eu sempre comento sobre valores pagos em IPVA, DPVAT e seguros, mas nunca considerei que isso seja um custo de uso, mas sim um custo de propriedade, uma vez que você pode ser inadimplente no IPVA e DPVAT e nunca ter problemas por não ser fiscalizado, assim como pode não ter seguro e nunca ter oportunidade de usá-lo (meu caso nesses dez anos).

Pedágios, estadias e combustível: é uso, não é? Sim, mas você gastaria o mesmo com uma moto ou fazendo os percursos de carro. Portanto, para quem decide não usar o transporte público, esses custos são fixos podendo ser diminuídos conforme o veículo usado: a Fat gasta menos que um carro (mesmo os populares), mas muito mais que uma moto de baixa cilindrada.

Desse modo eu aproprio apenas os custos que tenho para usar a moto: manutenção e adequação ao meu uso. Apropriei ao longe desse tempo todos os custos que tive com as mudanças na moto (estéticas ou ergonômicas), manutenções periódicas e material desgastado.

Somo esses custos e divido pelo que já rodei. Na próxima ida à oficina, pego o custo na quilometragem que o cálculo foi feito, multiplico e somo ao novo gasto, para dividir pela nova quilometragem.

Você pode fazer isso a qualquer momento e com qualquer veículo e só mostra que quanto mais você usa, menos você gasta no cômputo geral, porque no momento do gasto os valores são sempre muito parecidos.

Considerando todos os parâmetros eu diria que o meu "investimento" na Fat Boy resulta em muito lucro: são muitas estórias, muitos amigos e a moto ainda vale mais do que os manuais teimam em afirmar. Afinal se ao fim de cinco anos ela não tem valor contábil, ao final de dez estou devendo outra moto.... e a Fat segue rodando... hehehehehe

Se querem uma sugestão: esqueçam o valor que você vai gastar. O retorno é o prazer que você pode ter para viver a vida melhor.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

outra "façanha" da seguradora administradora do DPVAT

Há coisa de um ano postei sobre a exigência da Seguradora Líder em cobrar o DPVAT vencido para que se pudesse efetuar o pagamento do DPVAT do ano em curso do licenciamento (leia aqui).

Não vou entrar novamente na avaliação jurídica do inadimplemento de uma obrigação contratual que se torna impossível de ser feita face ao vencimento da vigência do contrato.

Agora venho a saber da nova façanha da empresa responsável pelo caça-níqueis chamado DPVAT: cobrança de prêmios referentes à veículo roubado e com baixa no DETRAN (órgão responsável pelo registro de propriedade de veículos) e SEFAZ (Secretaria de Fazenda - órgão responsável pela cobrança do Imposto sobre Propriedade de Veículo).

O proprietário, um grande amigo, Adolpho Chacon reclamou e pediu baixa do débito uma vez que ele não é mais proprietário do veículo, conforme certificado pelo DETRAN e SEFAZ (que deixou de cobrar IPVA).

Resposta da empresa: "... não estamos autorizados a baixar o prêmio do DPVAT de 2015 e 2016 do veículo de sua propriedade. "

Para quem não acredita vou postar a imagem da carta recebida pelo Chacon:



O veículo, uma motocicleta, não é mais propriedade de ninguém, mas para não largar a mamata que algum iluminado concedeu à empresa, está cobrando o prêmio de quem seria o proprietário de acordo com seus próprios arquivos pois o DETRAN sabe que a moto não é mais propriedade de ninguém, assim como a SEFAZ ao deixar de fazer a cobrança de IPVA.

Já passou o tempo de exigir o DPVAT. A realidade é que se deve exigir que cada motorista tenha uma apólice de seguro de responsabilidade civil para atender qualquer dano que venha a causar em acidente de trânsito e não atrelar essa obrigação ao veículo.

Acontecendo um acidente e o motorista/motociclista/ciclista não tem esse seguro, automaticamente se responsabiliza pelos danos que venha a causar com seu patrimônio pessoal. Assim reza a norma jurídica quando trata de indenização de dano material e moral.

Hoje o acidentado pena para receber míseros R$3.000,00 em caso de acidente e a família pena para receber R$13.000,00 em caso de morte ou invalidez permanente.

São valores que não levam em conta a expectativa de vida que o acidentado teria e não cobrem custos de internação ou recuperação do acidentado.

Essa intervenção do Estado na vida privada (sim porque os veículos do Estado não pagam IPVA e muito menos DPVAT, embora se envolvam em acidentes da mesma forma) sob a alegação de preservar o direito do acidentado é completamente inútil.

Temos um dos sistemas de seguro mais eficientes no mundo, atualmente cuidam até de funeral, então qual o motivo para concentrar o DPVAT apenas em uma Seguradora?

Só entendo que seja para manter o caça-níqueis funcionando.

domingo, 27 de dezembro de 2015

crise na confiabilidade da Fat?

Depois da publicação do post sobre a revisão de 80000 kms da Fat, alguns leitores deixaram mensagens perguntando se estou preocupado com o consumo de óleo.

Como sempre, eu vou investigar para buscar a causa mantendo uma fiscalização mais rigorosa sobre o nível do óleo e possíveis vazamentos, mas acredito que seja mesmo a idade mostrando seus efeitos.

A Fat está a caminho de completar 10 anos de uso, a grande parte de uso urbano que provoca um desgaste maior, e isso tem um preço: o desgaste tende a ser maior que se o uso fosse majoritariamente na estrada.

Ainda assim, verificações de elementos chaves para a longevidade no uso da moto não apresentaram desgaste além do esperado: belt e tensores estavam em bom estado, além dos esticadores da corrente da primária que também se mostraram em bom estado.

Aliado a baixo desgaste de alguns elementos que normalmente apresentam nível de desgaste que causa a substituição como pastilhas de freio, ainda longe de seu final, e os pneus, que também aguentam continuar rodando, demonstrando que não tenho abusado da moto no uso diário.

Continuo com a opinião que a grande qualidade da Fat é a confiabilidade e a simplicidade. Dificilmente terei uma surpresa sem receber um aviso de que pode acontecer um problema.

sábado, 12 de setembro de 2015

primeira moto

Faz algum tempo que fiz uma postagem sobre começar a andar de motocicleta escolhendo uma Harley-Davidson (http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2013/03/hd-como-primeira-moto.html).

De lá para cá, a situação não evoluiu, apenas mais e mais colegas entram em fóruns e comunidades querendo saber se é difícil, se existe algum macete ou fórmula mágica para viver o sonho de "pilotar a sua HD", mesmo sem ter qualquer experiência ou sequer estar habilitado.

No Fórum Harley um dos administradores, o Mazz, teve o paciente trabalho de fazer um resumo das principais opiniões sobre o assunto, que vou tomar a liberdade de transcrever. Vale a leitura e quem quiser participar da discussão basta postar no Fórum Harley: é um tópico fixado na seção geral.

Já que você investiu um bom dinheiro na moto, nada melhor que proteger seu investimento, ainda mais pra você que tá começando agora com motos custom. Coloque um mata-cachorro. Não precisa ser original da HD não. Compra um nacional, barato e de boa qualidade e a CC instala para você. SÉRIO, ITEM MAIS IMPORTANTE DESSA SUA NOVA "JORNADA"....
Os cursos de pilotagem vão te ajudar muito. Faça o mais rápido o possível.
O que você precisa aprender mais rápido, na minha singela opinião:
1) Controlar bem a moto em baixas velocidades (baixas mesmo, tipo 5 km/h): ajuda muito o controle se você usar o freio traseiro e meia embreagem. Isso vai te trazer, ao longo do tempo, confiança para manobrar a moto, em especial em lugares apertados e PRINCIPALMENTE fazer curvas fechadas em baixa velocidade. item número 1 de quedas entre principiantes
2) LUGAR DE MOTO É NO CORREDOR. ponto final: O coeficiente de frenagem de um carro é bem maior que de uma moto, mesmo com ABS. Logo, se você estiver no corredor e o transito parar de repente, vc não casseta a moto atrás de ngm!!!! Se os motobas encherem ou encostarem, vai pro lado e deixa passar. (Se você tiver medo do corredor, ande com a moto como um carro, mas, lembre-se de observar bem a distância entre o veículo da frente, e atenção especial as frenagens dos carros e que mutos tem lâmpadas queimadas)

Citação de: GUGOPLEXO em Julho 31, 2015, 12:23:40 pm
Vou dar meu pitado, considerando quase 30 anos pilotando motos.
1-) Se a habilitação é recente, primeira moto, melhor se comportar como carro no início, seja em avenidas largas ou estreitas, até ter confiança e domínio suficiente para trafegar entre os carros, situação atualmente permitida pelo veto ao artigo 56 do CTB, mas que depende da avaliação da autoridade de trânsito segundo seus artigos 192 e 193.
2-) Ver e ser visto. Pontos cegos têm em todos os veículos e o motociclista ainda não tem olhos nas costas. Bons retrovisores, menos 'convexos', ajudam. As Harleys tem som característico, o que ajuda bastante a chamar a atenção dos outros motoristas.
3-) Se não é sua primeira moto e vc tem boa habilidade, não terá dificuldade em andar com qualquer moto no corredor, de bis a ultra, desde, lógico, que tenha espaço para passar. Acho muito relativo essa coisa de 'escadinha', pois é o perfil de cada um que determina sua forma de condução.
4-) Os 'motobas', na sua maioria, literalmente correm para ganhar o pão. Normalmente usam o corredor mais à esquerda, assim, sempre que posso, fico no do meio para não atrapalhar.
5-) em cidades densamente povoadas como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, etc, o costume acaba criando regras próprias entre os motoristas. Portanto, importante saber onde está andando, para não tomar de cara uma fechada por ter sido um pouco incisivo na sua buzina. Aconteceu isso comigo no Rio de Janeiro ao tentar passar um taxista. A selva é, inequivocadamente, de pedra.
De resto, para mim, lugar das Harleys é na estrada e não para o dia-a-dia, mas obviamente essa condição não vale para todos.
Abx.

Citação de: kaatz em Agosto 06, 2015, 10:18:32 am
Um ponto importante é que as harleys não freiam igual a carro, andar atrás deles além do risco da colisão na traseira da moto, existe o risco de voce bater atrás de um carro, não ver um buraco e não ver o que ocorre a frente.
Na pior situação, o corredor lhe proporciona alguns metros a mais como área de escape.
Concordo com o que o Gugoplexo falou sobre Harley no dia a dia. Se sua rotina é basicamente trânsito urbano das grandes capitais acho que vale a pena refletir sobre a melhor moto para o corredor, porque penso ser inevitável utilizá-lo.

3) Carro tem ponto cego, mas não tem ponto surdo: Coloque um par de ponteiras nessa sua motoca. Pode ser nacional de boa qualidade e preço ou pode pedir pro Levi (tem banner aqui do fórum) trazer um Vance & Hines legal pra vc.... (ou ate um Screaming Eagle original...)
4) Equipamento de proteção: Nada de capacete Taurus aberto pra começar. Pega um bom com queixeira (pode ser removivel ou escamoteável)
5) Não tenha medo da máquina. se cair, levante (existem vários vídeos mostrando como levantar uma HD sem provocar problemas de coluna)
6) Curvas: Bom, o Marcos Bonfim já disse muita coisa a respeito das curvas. Aliás, foi um dos melhores comentários a respeito aqui no fórum.

Citação de: marcos.bonfim.7 em Julho 27, 2015, 10:48:45 pm
Parabéns pelo brinquedo. Minha primeira moto foi uma esportiva de baixa CC que era um canhão. E tive que descobrir em menos de 300 MTS como se faz uma curva numa moto de verdade. Era acertar ou dar de cara num poste.
1) CG tem pouca distância entre eixos e ângulo de caster. Sendo assim se VC virar o guidão ela vai se comportar como uma bicicleta. Numa moto com 2mt de distância entre eixos isso não acontece. As Harleys não tem um caster muito avançado mas já dão lá pra casa dos 30 e tantos graus. Então o guidão serve mesmo apenas para VC se segurar.
2) Curvas em moto de verdade não são feitas pela moto. Mas pelo piloto. Uma questão de física aplicada que os pilotos de moto chamam de pêndulo. Numa esportiva ele precisa ser bem exagerado te levando a apoiar o joelho no asfalto com o corpo todo para fora da moto devido a velocidade alta. Ahhh saudade... As vezes dava até uma raspadinha no cotovelo. Já nas moto de maior peso e de estrada o pouco que VC deixar seu peso "cair" para o lado da curva já é normalmente suficiente, dados os fatores como a distância entre eixos e o baixo centro de gravidade.
Para te explicar melhor... Assiste umas curvas do Rossi na Moto GP. E depois começe a olhar com mais piedade para os motoboys fazendo curva com a moto para um lado e o corpo tentando ficar retinho. Ehh coitados. Por que isso que vão pra cova rápido.
Agora nas Harleys a coisa é muito mais tranqüila. Para não ter erro reserve um bom ângulo de curva, para não ser forçado a deitar demais. Lembre que é impossível fazer qualquer curva decente  com velocidade ou não, sem deitar a moto, pelo menos um pouquinho.
Para iniciar a curva tenha torque na mão, ou seja, não esteja num rotação na qual não seja possível aceleração. Se preciso reduza uma marcha, antes de iniciar o processo. Deixe o seu peso ceder levemente para o lado da curva. Nem será preciso descolar o traseiro do banco. Um leve jogo do tronco já resolve. Ajude com um pouco de esterço para o lado da curva. No momento em ela começar a inclinar compense na aceleração. E pronto a física fará a moto andar sobre um eixo imaginário que será o vetor da curva. Quando mais rápido o deitar e acelerar e com maior ângulo, maior a velocidade angular e mais rápido VC está de novo indo reto, do lado de lá da curva. No entanto há limites... As pedaleiras, escapes e sua agilidade, assim como as condições da pista e dos pneus.
Para sair da curva simplesmente vá alinhando o guidão e aliviando o peso da lateral para o centro da moto.
Assim VC faz curvas de quase qualquer velocidade. Mas depois de dominar esta parte. Sugiro estudar o contra-esterço que vai facilitar muito a vida na hora de inclinar a moto. E principalmente na estrada onde sequências de curvas não te dão tempo para utilizar apenas o peso do corpo.

7) Vai no estacionamento de algum supermercado. Se vc for de SP, tem um mercado la no começo da raposo que o pessoal usa pra treinar. La vc pega umas caixas de papelao e treina alguns slalons com a moto... de preferência em baixa velocidade.
8)Citação de: Dado em Julho 31, 2015, 10:03:46 am
Se a moto for PESADA e por algum motivo, manobrando, você desequilibrar ou pender demais a ponto de não conseguir segurar, NÃO tente levantar ela, você vai se matar de fazer forca até te dar uma câimbra e vc soltar ela com tudo no chão arrebentando mais ainda.
Se pendeu e vc viu que não da pra voltar deite ela devagar até o chão... ai vc sai dela e se coloca em uma posição boa para levantar.
Dessa forma vai minimizar e muito o prejuízo!!!
9) Não pare rápido segurando o freio da frente com muita força enquanto não está 100% reto. É muito comum este tipo de queda
10) MUITO IMPORTANTE - não compre peças de moto roubadas, esta cobra pode te picar um dia! Investigue a fundo a origem!
11) Aprendendo com os erros, nossos e de amigos:

Citação de: PeterKing em Janeiro 13, 2013, 06:56:50 pm
[...] Realmente pensando com cabeça fria vemos que podíamos ter feito algo pra minimizar riscos!
Tenho 4 meses de HD!
Acho que faltou um pouco de direção defensiva entende?
Hj sinceramente eu esperaria a carreta fazer a curva passaria por tras dela e pela esquerda !mesmo que buzinassem atras de mim!
E como tu disse! Farol , buzina tudo e mesmo assim ficar muito esperto !
[...]
Nao posso reclamar pois ganhei minha vida novamente mas que doeu tb o coração qdo vi a motoca putz!
To pagando a bichinha ainda!
Mas blz!
De qq forma  fica o aprendizado e alegria de viver ,por isso quis relatar isso aqui 
Pelo menos trocamos experiências e alertamos ate mesmo os mais experientes !!!!!

Citação de: Udo em Janeiro 11, 2013, 05:14:02 pm
Fala, galera!
Bom, hoje de manhã eu sofri um acidente com minha moto. Estava a uns 50 km/h na Estrada de Itapecerica e iria passar entre um Fiesta branco e um caminhão, quando o Fiesta me fechou e eu freei. 
A roda da frente derrapou e eu fui pro chão, embaixo do caminhão de 2 eixos em movimento.
No momento pensei: Vai passar por cima de mim, morri.
Só que, ao invés de acontecer isso, as rodas traseiras me empurraram pra frente e eu fiquei com o corpo todo embaixo do caminhão, ainda em movimento.
Nisso eu consegui me alinhar em relação ao caminhão e pensei: Se eu ficar assim, ele vai passar direto e daí blz!
E foi isso que aconteceu. O caminhão seguiu em frente, eu deitado no asfalto com a cara colada no chão e ele passou. O para-choque traseiro (aquele que retrai quando o caminhão passa por uma valeta) ainda bateu no meu capacete e o caminhão só parou uns 50 metros depois. O motorista, que não teve culpa de nada, ficou muito assustado com tudo, me deu todos os dados que pedi e seguiu seu caminho, pois eu disse que ele não poderia fazer mais nada ali.
Eu nem acreditei enquanto levantava, com um dos pés descalços e ralados nos joelhos e punhos. Me levantei e mexi braços e pernas pra ter certeza de que não tinha quebrado nada, enquanto vários motoqueiros pararam o trânsito e correram pra me ajudar. Eles gritavam: Não levanta, mano, o caminhão passou por cima de você!
Só que eu estava bem. Caminhei até a beirada da avenida e um dos motoqueiros trouxe meu tênis que tinha sumido. Calcei, tirei o capacete, enquanto todos diziam que eu tinha nascido de novo.
E é verdade, nasci de novo. Caí embaixo de um caminhão em movimento e saí quase intacto. 
A moto pode dar perda total, só terei confirmação na semana que vem. O meu mac, que estava no baú, ficou preso entre as rodas dos eixos traseiro do caminhão, que é onde eu teria ficado, e morrido. O mac ainda liga, mas a tela está destruída e o hd não gira. Depois vou ver se dá pra recuperar os dados.
Mas estou bem e quero comemorar isso. Aceito sugestões e estão todos convidados pro meu re-aniversário.
Deixo aqui o meu muitíssmo obrigado a todos que torceram, rezaram e ajudaram, em especial aos anônimos de duas rodas que pararam no momento do acidente.
Pode dizer o que quiser dos "motoqueiros", mas hoje eles me ajudaram quando eu mais precisei.
Muito obrigado, um abraço e boa vida a todos, pois não é todos os dias que dá pra ter uma segunda chance.

12) AH o vendedor mandou eu pegar a sportster, que é uma moto de entrada.... [bravo]
O que todo mundo tem que entender é que sportster não é moto de entrada nem o primeiro degrau da escada... é a HD mais clássica em linha, e uma das mais difíceis de pilotar... acho que so perde pra rocket e pras v-rods com o pneuzao todo.... o motor é altão e bem arredio.... (se não acredita que ele é arredio, segura ele a 135 kms/h segurando BEM firme durante mais de 20 mins kkk)
uma deluxe por exemplo é a mais fácil de pilotar..
Por fim: Assista o DVD "Ride like a pro" (se vira pra achar kkkk) e observe bem os outros motociclistas, tem bastante a aprender com eles.

 Seguir essas recomendações é questão pessoal. Nada garante que "chutar o balde" e decidir viver o sonho de "pilotar a primeira HD" ignorando o que foi resumido pelo Mazz vai ser fatal ou sequer será a certeza de um acidente.

Como já disse em outras oportunidades: cada um sabe onde aperta o sapato, mas é mais fácil (e menos doloroso em duas rodas) aprender com os erros dos outros do que com os nossos.

De resto, só posso desejar que a estrada e as ruas sejam sempre madrinhas e não madrastas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

evento de moto: ir ou não ir, essa é a questão....

Final de semana passado tivemos o tradicional evento de Penedo. Um pouco atrasado na data por problemas de relacionamento entre organização e prefeitura, mas o evento saiu.

Eu não me preocupei em fazer reserva por estar voltando de viagem, no máximo faria um bate&volta com quem tivesse disposição.

Quem esteve lá, gostou do evento. Além do tradicionais expositores e bandas locais, a Rio Harley-Davidson montou stande e o HOG RJ marcou presença em um bate&volta com 70 motos.

Como não há evento que segure a pessoa no mesmo lugar o tempo todo, muitas fotos que vi (a maioria) foram fora do local do evento, mostrando uma tendência de que os eventos estão sendo pretextos para grupos de amigos fazerem uma viagem e confraternizarem.

Com essa nova tendência, o comércio local fica muito ativo e é normal a espera por uma mesa.

Não li queixas sobre o evento e o ponto negativo acabou sendo o homicídio de um motociclista por pessoa ainda não identificada. As versões são contraditórias, mas a que vem tendo maior divulgação teria o morto alcoolizado mexendo com as mulheres de terceiros e um desses aproveitou o momento em que o morto teria ido ao banheiro para matá-lo com tiro na nuca.

Interessante é que essa mesma justificativa, dessa vez no caminho reverso: o assassino teria sido retirado de um evento patrocinado por um MC em Ponta Grossa por estar mexendo com a mulher de terceiros, retornou com mais dois amigos e matou dois, feriu outros dois (um deles acabou morrendo no hospital). E já temos mais um relato de homicídio em Ponta Grossa de outro membro do MC patrocinador desse evento.

Por conta desses fatos já li e já me perguntaram se vale a pena ir aos eventos. Eu não tenho ido desde 2012, não me fez falta. Já estive nas cidades que normalmente organizam esses eventos em datas fora da temporada de eventos, junto com outros amigos e aproveitei da mesma forma.

Os eventos vem atraindo cada vez mais curiosos, além de grupos recém-formados e calouros em duas rodas, achando que todos são "irmãos".

Não é assim. Dificilmente um desconhecido se enturma em um grupo coeso de amigos apenas por ter a moto da mesma marca. Desculpe se venderam isso para você, mas repito: não é assim.

Evento de motos foi feito para curtir com os amigos e reencontrar outros amigos que a gente não vê faz tempo. Evento de motos não é café da manhã para enturmar calouros.

Em evento de motos vale a regra do convite: se não foi convidado, não force a convivência.

Lembre disso e com certeza você vai aproveitar bastante o evento que comparecer.


sábado, 8 de agosto de 2015

de volta a realidade brasileira

Pouco antes de viajar com a família para visitar a outra parte da família, Bayer publicou um post sobre o panorama que ele via na terra brasilis (http://olddogcycles.com/2015/07/ainda-vale-a-pena-andar-de-moto-no-brasil-ou-melhor-ainda-vale-a-pena-ser-brasileiro.html).

Eu concordo com a visão dele e nada confirma mais isso que voltar de férias.

Estive em Portugal, país pequeno que produz pouco e importa quase tudo. Um primo pobre na reunião de parentes ricos que é a Europa.

Passou por um crise econômica, vem fazendo os ajustes que o Brasil já fez na época da hiper inflação e começa a colher resultados. Ainda falta muito, mas vejo um panorama de evolução positiva no país.

Já na terra brasilis vejo um cenário de regressão agravado por uma crise moral. Num cenário onde a culpa da crise econômica é creditado a uma crise política ao invés de se combater os problemas de gestão que estão presentes no país e são disfarçados com todo o tipo de retórica para tentar justificar as escolhas da última eleição, nada se faz para buscar soluções realmente eficazes.

O país não vai mudar apenas com a troca da presidente (e não vejo razões jurídicas para as manobras que são feitas para um impeachment) e muito menos vai mudar se por um "milagre brasileiro" o candidato derrotado assumisse o governo. O país não é um time de futebol que está perdendo partidas e troca-se o técnico.

A falta de auto-crítica é total: brasileiro não conta derrota, e quando acontece alguma derrota a culpa não é dele, mas sim de terceiros que o estão boicotando. No país do "nunca antes" tudo são vitórias e os problemas são tentativas de golpe.

Não se trata de desmerecer as conquistas, mas sim de não esquecer as transgressões e buscar culpados para a devida punição: esse é objetivo da auto-crítica.

A solução passa pela educação do povo e não pela alfabetização funcional do povo ou pela chegada de mais alunos ao terceiro grau. A falta do exemplo doméstico deixa a população sem parâmetros do que é certo ou errado, acreditando em todo o tipo de bobagens que venha a ser publicada nas redes sociais.

A educação pelo exemplo é a principal diferença que vejo na comparação com Portugal, país que tem os mesmos problemas de tráfico de influências e corrupção, e apesar disso a impunidade não acontece. Pasmem: até o ex-presidente Lula vem sendo alvo de investigação por tráfico de influência na negociação que envolveu a Portugal Telecom nas privatizações das empresas de telefonia brasileiras.

É essa mesma educação que permite à motocicletas usarem a faixa de ônibus em nome da mobilidade urbana, que faz o carro parar na faixa de pedestre assim que o pedestre se aproxima do meio fio para atravessar e que permite ao cidadão entender que existem medidas a serem tomadas para chegar a um objetivo.

A perda da sensação de segurança social é o que mais incomoda na chegada ao Brasil.

E o que mais provoca a vontade de não continuar na terra brasilis.