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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

o mito do radiador de óleo

Comprei um radiador de óleo para a Fat. Foi comprado usado de um customizador que está desfazendo a sua moto.

Esse radiador é antigo e um pouco diferente do premium oil cooler kit vendido atualmente. Embora também tenha sido fabricado pela HDMC, o radiador que comprei não fica no centro do quadro, recebendo o ar restante da turbulência, como é o kit vendido atualmente.

O radiador fica preso na lateral do quadro recebendo ar frontalmente e funciona de maneira semelhante ao kit vendido atualmente.

Em tese, o ar menos aquecido pela turbulência deve dar maior efetividade a esse radiador de óleo.

Não tenho como medir a diferença e esse mito vai continuar sem ser resolvido.

As fontes de calor nas HD são três: o motor, o escape e o tanque de óleo.

O motor melhora muito com a regulagem da mistura.

O escape não tem jeito: é manter os heat shielders e não encostar no cano aquecido.

O tanque de óleo é dependente da temperatura do óleo e nisso o radiador de óleo auxilia a manter a temperatura mais fria. Fica lógico que uma das consequências da menor temperatura do óleo é temperatura menor do motor como um todo, mas o radiador é dependente do fluxo de ar e no trânsito parado a eficiência cai.

Na prática, a instalação do radiador de óleo aumentou o conforto rodando e aumentou o tempo antes da temperatura começar a incomodar quando a moto fica presa no transito ou em um sinal, ajudando a recuperar a temperatura assim que volta a se movimentar.

Portanto o mito de que o radiador de óleo resolve o problema de temperatura não se confirma.

Auxilia a amenizar, muito melhor com ele do que sem ele, mas não resolve.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

sair do Rio está cada vez pior

Comecei o ano com algum tempo livre e pude fazer alguns passeios curtos no entorno do Rio e pude constatar a dificuldades em sair (ou chegar) no Rio.

Os acessos passam todos pela Av. Brasil ou Linha Vermelha, foi criada a opção da Transoeste, a Transcarioca está em construção e a idéia é criar vias expressas para evitar que se cruze a cidade, contornando até chegar à melhor entrada/saída.

A Transoeste vem muito bem até chegar no viaduto da Via Nove. Daí em diante você pode ou não ter trânsito pesado e com certeza encontra trânsito pesado a partir do Cebolão. Nesse trajeto você encara o viaduto do Joá com tráfego controlado e o tunel do Grota Funda que caiu o revestimento do teto.

Já a Linha Vermelha está saturada, com piso bem gasto e os engarrafamentos são constantes por conta do acesso à Ponte e as saídas para a Ilha, BR-040 e Dutra.

A av. Brasil tem um panorama ainda pior que a Linha Vermelha, com transito urbano em toda a extensão.

Com isso tudo, você percorre miseravelmente 60 kms em vias sobrecarregadas, de piso gasto e com forte tráfego urbano. Mas tudo bem, você vai pegar a estrada e vai melhorar. Desculpe, mas isso não vai acontecer.

A BR-040 tem forte tráfego até o pedágio e o piso piora sensivelmente na subida da serra até Petropólis. A estrada só melhora depois da passagem de Duques a 85 kms da Zona Sul do Rio de Janeiro.

A BR-116 na direção norte passa pelo início do trânsito da BR-040 em Caxias e também só melhora depois do primeiro pedágio em Piabetá, quando o tráfego urbano cessa e nisso você já rodou outros 80 kms da Zona Sul do Rio.

Se o caminho passa pela Dutra, a estrada só aparece depois do pedágio em Seropédica, outros 90 kms da Zona Sul. Até chegar nesse ponto é tráfego urbano e obras para a criação da pista marginal.

A BR-101 não tem panorama melhor: no sentido norte a gente encara a Ponte, a Rio-Manilha e antes de passar por Itaboraí a estrada não rende, a 85 kms da Zona Sul do Rio. Se vamos no sentido sul, o tráfego urbano vai até Itaguaí a 80 kms da Zona Sul do Rio.

Ou seja, para conseguir aproveitar estradas no Rio é preciso encarar pelo menos 80 kms de transito urbano, com motoristas trafegando com carros sem manutenção, mal educados e achando que a motocicleta só serve para atrapalhar.

No último sábado estive em Nogueira, destino comum para quem tem pouco tempo para aproveitar uma estrada e em 210 kms de trajeto, 170 foram de acesso ao bom piso da BR-040 depois de Duques, ou seja, em um passeio de 2 horas e meia (ida e volta) só curtimos a estrada por 20 minutos.

Com o calor que estamos aturando é preciso muita disposição para sair do Rio.

quinta-feira, 1 de março de 2012

calor: como administrar o desconforto?

Este mês de fevereiro deve ter sido um dos mais quentes dos últimos anos e o desconforto causado pelo calor (e aumentado pela dissipação de calor vinda do motor Twin Cam) acaba sendo um fator importante na hora da pilotagem segura.

Se você pilota equipado, como manda a regra (capacete, casaco, calça, luva e bota), e se desloca no horários de pico por uma cidade como Rio ou São Paulo, o desconforto causado pelo equipamento de proteção acaba sendo fator gerador de estresse e consequente desatenção.

Se você pilota se permitindo diminuir a proteção, pode acabar se arrependendo por conta de um acidente.

Chegamos a uma situação entre a cruz e a espada.

Infelizmente não existe conduta perfeita.

Minha experiência é minizar o risco e aumentar o conforto. Se você decide abandonar luva ou bota o risco aumenta em uma proporção pequena e conseguindo maior conforto, vale a pena.

Se você decide abandonar o casaco e usa o capacete aberto, recomendo mais cautela na sua pilotagem pois seu risco em deixar pele pelo asfalto aumenta na mesma proporção em que você abusa do corredor, da velocidade ou de manobras mais audaciosas.

Sei que a intenção é aproveitar a versatilidade da motocicleta e sair logo do calor, mas lembre sempre que quanto menos equipado, maior deve ser sua preocupação com você, sua moto e o mundo à sua volta.

Vale sempre lembrar sobre a hidratação: a gente transpira bastante e perde água, principalmente no meio de carros e ônibus: procure beber água e se realmente dispensar o casaco, lembre do protetor solar.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

marcha lenta

Quem compra uma HD zero fica meio decepcionado quando a liga e não escuta o "galope" característico das HDs carburadas. Sem falar que na maior parte das vezes só escuta mesmo é o barulho de kombi dos escapes stocks.

Trocar os escapes procurando o som característico é a praticamente a primeira coisa que qualquer proprietário faz, mas sempre acaba desiludido pela falta do "galope".

E por que não se consegue o "galope"?

Porque os motores precisam se manter girando mais alto para poder expulsar os gases pelos escapes restritos que as normas anti-poluentes exigem.

Então, se eu troco os escapes, por que não consigo o "galope"?

Porque você precisa regular a marcha lenta em um limite mais baixo e para isso é preciso contar com a ajuda de um scaner digital ou uma interface que possa reprogramar a ECU.

Mesmo assim, existe um limite até onde a marcha lenta pode ser reduzida sem prejuízo para o motor ou sem que o motor apague em cada sinal de trânsito. Esse limite, dependendo da temperatura, são 800 rpms. É o limite que o SERT/SEST/SEPST admite e o limite que a maioria dos scaners digitais permite programar.

Abaixo disso existe a possibilidade de problemas em lubrificar a parte alta do motor por falta de pressão de óleo.

Algumas soluções mais engenhosas, como o Idle Control desenvolvido pelo Artur Porcão do Fórum HD, vem permitindo que se altere a marcha lenta abaixo das 800 rpms, mas o próprio Porcão não recomenda que se faça isso com muita frequencia.

Outras soluções envolvendo travar o motor de passo que é controlado pelo sensor IAC (alguns relatos falam em desligá-lo) também permitem que se baixe abaixo do limite inferior.

E as consequencias disso? Você tem uma moto injetada funcionando como se fosse carburada... precisa esquentar antes de sair, existe um delay na resposta de acelerador e o comportamento fica alterado. Nada que as pessoas não se acostumem em nome do "galope".

Muito bem, é possível conseguir o "galope". Mas vale a pena? Tudo vale a pena desde que você se disponha a pagar o preço de um desgaste maior ou da alteração no comportamento da moto.

Eu baixei a marcha lenta na minha Fat com o SERT. Não cheguei ao limite mínimo possível para evitar que a moto apague nos sinais (coisa que ocorria com ela trabalhando no limite mínimo) ou ter de fica segurando a rotação controlando o acelerador. A moto trabalha um pouco acima das 800 rpms (832 rpms é meu menor limite) e em consequencia disso esquenta menos quando está no parada (menor rotação, demora mais para esquentar e começar a dissipar calor).

Considerando que a própria ECU com a programação stock diminui a marcha lenta quando a moto atinge uma temperatura elevada para evitar um superaquecimento, a baixa da marcha lenta dentro do limite recomendado não vai trazer prejuízo algum a vida útil do motor, pelo contrário: vai ajudar a mantê-lo saudável por mais tempo.

Recomendo o "galope", mas respeitando o limite da bomba de óleo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

as HDs injetadas esquentam... e agora?

Muitos colegas novos: vários escolhem a HD como primeira moto, outros vem de outras marcas e alguns vem de HDs carburadas.

Em comum apenas a constatação: o motor Twin Cam dissipa muito calor.

E uma dúvida: é normal?

Senhores, depois de quatro anos posso afirmar que os TC esquentam muito e sim é normal isso.

O motor TC dissipa grande quantidade de calor devido às condições que são exigidas pelos programas anti-poluentes. Filtro de ar e escapamentos restritos aliados a uma mistura ar/combustível muito pobre fazem com que os motores HDs sofram muito para gerar potência e a potência gerada e não utilizada acaba em calor a ser dissipado pela máquina, como em qualquer máquina térmica.

No uso em viagens essa característica do motor refrigerado a ar passa desapercebida em virtude da ventilação forçada, mas no trânsito pesado é algo que muitas vezes faz a pessoa pensar no carro com ar condicionado... principalmente no verão carioca.

Solução para isso: deixar o motor trabalhar como ele foi concebido e para isso voltamos a velha estória de filtro de ar e ponteiras esportivas e afinação da injeção para melhorar a mistura.

As vistorias feitas nos diversos Detrans das capitais vem mostrando que as modificações de filtro e escapamento esportivos ficam dentro dos limites tolerados desde que a mistura seja bem regulada para tal.

Além do beabá, muita gente faz opção pelo radiador de óleo como forma de ajudar na dissipação do calor gerada pela refrigeração a ar dos motores HDs.

O radiador de óleo, ao contrário do radiador de água, só funciona com a moto em movimento porque depende da ventilação forçada feita pelo deslocamento da moto para resfriar o óleo e consequentemente resfriar o motor e diminuir a dissipação do calor feita pela máquina. Ajuda mas não resolve no trânsito.

A HD melhorou a eletrônica dos TC 96 e hoje você já pode programar, com a ferramenta adequada, o motor para que o cilindro traseiro seja desligado em velocidade perto de zero e temperatura acima de 100º (ou coisa parecida) dando maior conforto no trânsito pesado das grandes cidades.

Portanto, HDs maiores e mais novas (as Sportsters esquentam também, mas em nível menor) esquentam, mas o bom disso é que dá motivo para você começar a mexer nelas.